ENTENDEU,VALEU

Fernando J G Marinho

(Mensagem eletrônica enviada para o Diretor de Redação da Revista VEJA, em 04.05.2005,com cópia para o Prof. Pasquale Cipro Neto)

 

Influenciado pela excelente lição sobre construção de frases ambíguas, que o Prof.Pasquale Cipro Neto divulgou na Revista O Globo do dia 01.05.2005, mesma data em que a revista VEJA publicou o artigo ENTENDEU,VALEU, versando sobre o " globês", passei a examinar com maior atenção a seguinte afirmativa a respeito da tal " ferramenta de comunicação" criada pelo francês Jean- Paul Nerrière : " não tem nada a ver com o esperanto nem com outras tentativas frustradas de idioma universal" .

Seria essa assertiva passível de mais de uma interpretação?

Como a revista VEJA, em algumas ocasiões já havia publicado afirmações incorretas sobre o esperanto e, em conseqüência, recebido inúmeros esclarecimentos sobre a verdadeira situação da língua neutra internacional no mundo de hoje, achei que a primeira oração ( " não tem nada a ver com o esperanto") pudesse ter surgido do prudente interesse da VEJA em se proteger contra nova enxurrada de críticas. Imaginei que o interesse do redator da notícia fosse o de mostrar que não podemos confundir um brinquedinho de comunicação com uma língua comprovadamente séria, utilizada, inclusive, por uma comunidade de respeitável valor. A segunda oração ( " nem com outras tentativas frustradas de língua universal" , no entanto, afastou a suposição que havíamos esboçado anteriormente. Ao que tudo indica, não há porquê duvidar da intenção de se destacar que o esperanto é uma das tentativas frustradas de língua universal, pois esta é a impressão que predomina no círculo de pessoas mal informadas.

A meu ver, seria - usando uma expressão que está na moda - " politicamente mais correto" omitir a palavra esperanto e redigir: " não tem nada a ver com as tentativas frustradas de língua universal".

Depois de levar à risca o conselho extraído da mais recente lição do Prof. Pasquale (: quando usar " somente" e " também", leia e releia. Com essas palavras o risco de escrever frases ambíguas é grande.), deixo o seguinte: " Em caso de dúvida sobre a situação real do esperanto no mundo, aceite informações somente de fontes fidedignas".

 

Atenciosamente,

 

Fernando José Galvão Marinho

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Ex-Presidente da Liga Brasileira de Esperanto

Fakdelegito pri edukado/UEA

(Rio de Janeiro-RJ, Brazilo)

 

PS: Como considero praticamente impossível a transcrição integral desta mensagem na Seção " Cartas" da VEJA, optei por incluí-la na Seção " Troca de Idéias" , do Projeto Sementeira Esperanto (www.npoint.com.br/sementeira/tiartig.html)