Foi numa das incontáveis listas de debates (Esperanto-br) , que superlotam a nossa caixa postal com mensagens em e sobre o esperanto , que encontrei nesta manhã de 1o maio de 2004 primorosa resposta enviada pelo companheiro Pedro Cavalheiro para a redação da revista "Capricho". Trata-se de uma argumentação tão bem elaborada , repleta de informações interessantíssimas, que merece ser guardada por todos nós, esperantistas veteranos e novatos,como um modelo feito "no capricho". Ainda bem que a lista de onde transcrevi a carta-modelo só conta com mil e tantos assinantes, adeptos da tal língua que,segundo desinformados, nínguém fala. Pobre da minha caixa-postal, se alguém falasse essa língua!
Mas, chega de ironias ; passemos a palavra ao Professor Cavalheiro:
À Redação da Capricho.
Embora eu não seja seu perfil de público, minhas alunas são. Pois é: e me trouxeram perplexas e muito chateadas com a revista Capricho, a edição 937 de 4 de abril de 2004.
A resvalada está na página 111, na coluna "Assunto de Amiga" de Giovana Gonzales.
Respodendo à uma leitora (título: I am the book...), a jornalista diz:
"O ideal é que vocês encontrem uma língua em comum. Tipo inglês, que todo mundo fala. Ou esperanto, a língua de todos os povos (mas que ninguém fala)."
Aí minhas alunas de Esperanto, incluindo minha filha, ficaram muito bravas. A jornalista (imagino que pra escrever em revista ela o seja) desinformada emitiu uma opinião preconceituosa. Eu sei que não foi por mal. Nunca é. Mas, embora o caráter leve da Capricho possa fazer alguém pensar o contrário, quem escreve em revista é formador de opinião.
Então peço a vocês, em nome da seriedade e dos serviços prestados pela editora Abril no campo da cultura, que retifiquem a informação.
O Esperanto é uma língua transnacional reconhecida e recomendada pela UNESCO e que só cresce no mundo. Basta procurar na Internet em um buscador como o "Google" que logo se vê.
Não está na mídia de massa, é verdade, porque não é financiado por interesses particulares como, por exemplo, o de uma super potência praticar domínio cultural seguido de hegemonia econômica. Não está financiado por religiões, embora todas o apóiem: O Papa fala Esperanto e transmite todo ano a mensagem "Urbi et Orbis" também nessa língua, ver http://www.ikue.org/ligoj.html, a rádio do Vaticano transmite programas em Esperanto semanalmente, ver http://www.osiek.org/aera/frekvint.html .. O Espiritismo também apóia, ver http://esperantox.vilabol.uol.com.br/espiritismo/index.html . Os Evangélicos também, ver http://esperantox.vilabol.uol.com.br/keli/keli.htm . Os Budistas ver http://esperanto.us/budhana.html, os adeptos da Bahà'u'llàh, ver http://www.bahai.de/bahaaeligo/U-tekstoj/home-U.html, da Oomoto, ver http://www.oomoto.or.jp/Esperanto/index-es.html e vai por aí a fora. Todas as forças do bem apóiam a língua "de todo mundo", como disse a Giovana. Mas nem só de religião vive o homem. O Esperanto é uma realidade mundial. Veículos de comunicação de massa já tem versão eletrônica em Esperanto, como o jornal francês "Le Monde Diplomatique", endereço eletrônico http://eo.mondediplo.com/. Revistas no mundo inteiro já falam dessa realidade como aconteceu ano passado, em 11 de agosto, quando a revista norte americana "News Week" publicou matéria sobre o Esperanto e afirmou: "o Esperanto é 10 vezes mais fácil de aprender do que o Inglês". E não só ela. Outras como "The Economist", "The Independent", "The Guardian", também tem falado sobre o Esperanto. E isso pra citar só algumas de língua Inglesa. Sabe porque? porque tem muita gente que fala, que aprende e se interessa pelo assunto. Como as mencionadas, indignadas leitoras suas que são minhas alunas de Esperanto. São algo em torno de 10 milhões de pessoas espalhadas em todo o mundo, de maneira organizada. São profissionais de todas as áreas participando de associações esperantistas em todo o planeta: Asociação Internacional de Médicos, dentistas e veterinários, juristas,professores , trabalhadores, ferroviários etc. E tem Associação Internacional de Escoteiros Esperantistas, enxadristas...
Não me estenderei muito mais. Apenas deixo para a Giovana Gonzales a seguinte pergunta para sua reflexão: se é verdade que o Inglês é "língua que todo mundo fala", por que a ONU gasta o equivalente a três vacinas contra a poliomielite por palavra traduzida em suas assembléias? Ou por que a União Européia gasta atualmente 550 milhões de euros com 1300 tradutores que processam juntos 1.500.000 páginas por ano, nas 11 línguas dos países-membros atuais. E mais: está prevista a inclusão de mais 10 idiomas. Então o número de tradutores dobrará para atender a demanda. O custo passará para 800 milhões de euros, algo em torno de 3 bilhões de reais.
Talvez a Giovana tenha olhado só para o Brasil mas, então deveria dizer falando do Inglês: "a língua que todo mundo (os brasileiros) tem que estudar na escola". Mas não aprendem. Pra aprender mais ou menos, só em escolas de línguas e pra dominar de verdade, só viajando e morando um tempo em país de língua inglesa.
O Esperanto também tem muitos jovens que o falam. Ainda neste mês de maio, vou receber em minha casa uma jovem de 20 anos, nascida na Polônia e moradora há 10 anos na Alemanha, cidade de Frankfurt. Na casa dela se fala Esperanto e é usando essa língua que ela já ficou um tempo no Rio de Janeiro, em Brasília e ficará uma semana em minha casa.
Não espero que publiquem este e-mail. Eu sei que é grande. Mas era meu dever de jornalista informá-los.
O que espero é que vocês publiquem uma retratação. Nós que falamos e divulgamos com dificuldade a língua transnacional, que existe em defesa da democracia lingüística e pela preservação das culturas nacionais/locais, agradecemos. E a UNESCO, que pede apoio para essa idéia, ficará agradecida também.
Obrigado.
Pedro Cavalheiro
Jornalista / Professor Universitário
Delegado da Associação Mundial de Esperanto - UEA, (que mantém relações oficiais com a UNESCO) em São Paulo.
Secretário Especial para Relações Sociais da Comissão Interamericana de Esperanto da UEA.
cavalheiro@esperanto.org
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