EM DEFESA DO ESPERANTO

Fernando J.G. Marinho

Por absoluta falta de informações, jamais arriscaria afirmar que o ilustre Prof.Odilon Pinto, mestre e doutor em Lingüística pela Universidade Federal da Bahia e professor da UESC, pelas razões "a", "b" ou "c" decidiu-se a escrever o artigo "A ilusão do Esperanto", publicado no Diário do Sul ( Itabuna-BA) , no dia 17 de setembro de 2003. O que posso garantir é que entre mestres e doutores em Lingüística não há uma opinião unânime a respeito do Esperanto. Posso também assegurar, repetindo palavras de Claude Piron, autor de "O Desafio das Línguas: da má gestão ao bom senso" (Pontes Editores, 2002) que "dentre todos os julgamentos negativos, aquele que tem sem dúvida o impacto mais forte para frear a difusão da língua consiste em afirmar que as tentativas feitas para dar vida a uma língua inter-povos sempre foram fadadas ao fracasso". Quando esse tipo de julgamento é divulgado por personalidades de indiscutível saber , a eventual curiosidade pela busca de maiores informações sobre o assunto é abortada em seu nascedouro.

O saudoso Prof. Walter Francini, autor de várias obras, dentre as quais destacamos "Esperanto sem preconceitos"(Edicão da Associação Paulista de Esperanto, 1976), inicia o seu depoimento para a coletânea "Não só idealistas, mas realizadores" ( Editora Liney, 1995) com a seguinte informação: " Só aos 33 anos me tornei esperantista. Este atraso decorreu de um preconceito plantado em meu espírito por um professor da Universidade de São Paulo por quem eu nutria profunda admiração desde os bancos do curso secundário, pois fora em seus livros didáticos que eu criara amor ao estudo da língua e literatura luso-brasileira.Nas suas aulas, aliás excelentes quando tratavam da matéria de sua especialidade, ele afirmava categoricamente que o Esperanto jamais venceria pois, dizia ele, em matéria de linguagem o que é artificial não prospera."

Aos interessados na obtenção de maiores informações sobre a língua neutra internacional Esperanto, recomendamos, além da leitura das obras acima citadas:

"Bilingüismo - utopia ou antibabel ", de José Passini (Editora Pontes, 1993) - o autor é licenciado em letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestre em Letras pela PUC/RJ, Doutor em Lingüística pela UFRJ, Professor de Língua e Literatura Italiana e de Esperanto na UFJF, onde chegou a ser Reitor durante alguns anos . Prefaciando esta obra, Affonso Romano de Sant'Anna escreveu "Realizando a Utopia", texto que pode ser visto em http://www.npoint.com.br/sementeira/tiartig15.html .

Para concluir, recomendamos ainda uma visita à página do interessantíssimo Projeto Nesto (www.nesto.subito.cc)

 

Rio de Janeiro-RJ,10.10.2003