REALIZANDO A UTOPIA

Affonso Romano de Sant' Anna

( Prefácio da obra "Bilingüismo: utopia ou antibabel" , do Prof . José Passini, Editora da UFJF, julho 1993)

Esta tese me comove de várias maneiras. Primeiro porque meu pai foi professor de Esperanto. Segundo porque constato que José Passini conseguiu enfrentar técnica e competentemente algumas das questões que os adversários dessa língua internacional sempre levantam. Ele faz uma descrição lingüística rigorosa, comparando o Esperanto com diversos outros idiomas, alguns artificiais, como o Volapük, outros naturais como o francês, o inglês e o português.

É significativo que até hoje tenham surgido dezenas de línguas que buscam solucionar o problema criado miticamente na torre de Babel. Passini considera algumas dessas tentativas: Lingualumina, Spokil, Solresol, Timerio, Bopal, Parla, Volapük, Idiom Neutral, Dil, Balta, Spelin, Weltparl, MundoLingue, Latino sine flexione, Occidental, Novial,Interlingua. Comparado com essas línguas, o Esperanto leva enorme vantagem funcional.

Isto explica a informação de que "existem no mundo pelo menos 1.299 clubes de Esperanto, publicam-se 100 periódicos, existem 72 editoras, e o Museu Internacional de Viena conta com 14.000 obras originais, que formam uma das maiores coleções de livros esperantos do mundo. Além disso, só no ano de 1975, 14 emissoras de rádio transmitiram regularmente programas de Esperanto, num total de 930 horas. A Televisão Eslovena e a Televisão Holandesa ofereceram nesse mesmo ano cursos dessa lingua".

É uma língua artificial? É. E não o é. Os especialistas a consideram como uma língua auxiliar, como um organismo, assimilando palavras que a tecnologia mais avançada inventa.

Passini, hoje é o reitor da Universidade de Juiz de Fora. Conheci-o há alguns anos quando ele foi fazer mestrado em lingüística na PUC/RJ. Naquela ocasião lembrou-me que fora aluno de Esperanto de meu pai. Falou-me de seu interesse em demonstrar lingüisticamente a pertinência da língua criada por Zamenhof. Alguns anos depois surpreendo-me com a concretização de seu projeto.

A utopia continua. E o exemplar trabalho de Passini dá uma concretude maior ao sonho de uma língua que, modestamente, aspira apenas a servir aos homens.

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VEJA TAMBÉM:

"O Esperanto contra a Babel do Desamor", crônica de Affonso Romano de Sant'Anna

"Palestra de abertura do 36oC.B.E.", proferida pelo Prof.José Passini

"O Esperanto na visão de um filólogo", J.R.R.Tolkien, o consagrado autor da trilogia "O Senhor dos Anéis".