Esperanto ressurge em Passos

Reportagem publicada na edição de 14/07/01 no jornal "Gazeta de Passos"

Texto: José Reis Santos

 

 

O esperanto - uma língua neutra criada pelo médico polonês Luís Lázaro Zamenhof, em 1887 -, ressurgiu em Passos há pouco mais de um mês. De 1996 a 1998, chegou a funcionar um clube de esperantistas na cidade, todos saídos de dois cursos ministrados pelo passense Alex Cesário, hoje residindo em Ribeirão Preto (SP), onde existe o Centro Cultural Esperantista.

 

Atualmente, há mais de 100 publicações em esperanto em todo o mundo, além de diversos congressos nacionais e regionais e o congresso universal que, no ano que vem, será em Fortaleza (CE). Além de livros, são produzidos vários outros materiais como CDs, fitas e vídeos em esperanto que, acredita-se, tenha cerca de três milhões de praticantes em todo o mundo. Somado a isso, o esperanto vem ganhando muito espaço na rede mundial de computadores (Internet), que permite a comunicação de muitos brasileiros com estrangeiros.

 

O vídeo "Samuel Hanehmann - A arte da cura", que conta um pouco do criador da homeopatia, é um exemplo da utilidade da língua. Rodado em Passos, com diversas cenas obtidas na Alemanha (país de Hanehmann), ele terá a versão em português e esperanto, devendo ser distribuído a várias partes do mundo. O vídeo vai abrir a 4ª Semana Esperantista de Ribeirão Preto (SP), que acontece em outubro, e será dublado por alguns esperantistas passenses.

 

O grupo que vem se reunindo semanalmente em Passos, numa das salas do edifício Homeopassos, é formado por esperantistas que participaram das duas primeiras turmas e outros que estão aprendendo a língua agora. Cerca de 15 pessoas têm freqüentado as reuniões, inclusive um dos alunos mantém contatos permanentes, pela Internet, com esperantistas de diversos países. O esperanto é considerado uma das línguas mais fáceis de se aprender, sendo que sua gramática possui apenas 16 regras básicas.

 

Opiniões

A dentista aposentada Therezinha Glaura de Macedo, que estuda esperanto desde 1995, relata que começou a aprender a língua, ao lado de Alex Cesário, pelo livro "Esperanto sem mestre". Em 96, os dois tiveram contato com a professora aposentada Mirley Eny Piantino. Os três organizaram uma exposição de publicações em esperanto na Casa da Cultura e, em seguida, o primeiro curso, com a duração de seis meses. "Fui eu quem fez bandeira do esperanto", relata ela.

 

"Em 96, fui a um congresso brasileiro de esperanto sozinha", lembra-se a professora Mirley que seguiu ontem para Brasília (DF) onde participa do 37º Congresso Brasileiro de Esperanto. Para o autônomo Adilson de Almeida Brito, também da primeira turma, "o esperanto é uma forma de praticarmos até a fraternidade universal". O servidor público federal Alysson de Abreu Arouca, também da primeira turma, disse ter se interessado pelo esperanto "por ser uma língua universal que não é ligada a nenhuma nação".

 

A farmacêutica Maria Mercedes Alves, que sempre teve contato com esperantistas ligados à homeopatia, ficou entusiasmada depois que esteve por mais de um mês na Europa. "Em 27 cidades alemãs e em Paris, a língua usada foi o esperanto. A homeopatia adotou o esperanto como língua oficial", relata. Outro farmacêutico, Walmê Costa Carvalho, se interessou pela língua "depois que participei de um curso de homeopatia em Ribeirão Preto, quando o Dr. Izao Carneiro nos repassou algumas noções básicas".

 

Já a funcionária pública Selma Nunes disse ter iniciado o estudo do esperanto "por se tratar de um idioma de fácil aprendizagem e por acreditar que futuramente chegaremos à verdadeira fraternidade entre as nações". As aulas são ministradas gratuitamente, utilizando-se livros, fitas e vídeos em esperanto.

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