Como todos sabem, a língua anglo-americana vem açambarcando indivíduos de todo o mundo. Nos países de língua não-inglesa esse idioma é estudado avidamente, pois ele fortalece a saúde econômica. E, na medida em que cresce o potencial econômico dos Estados Unidos, essa tendência também se amplia.
No meu país- Coréia do Sul - quase todos fazem um enorme esforço para estudar o inglês, mas 99% não atingem sequer o domínio básico da língua. A língua anglo-americana apresenta dificuldades particularmente significativas.
Em primeiro lugar, não obstante o fato da estrutura do inglês ser um pouco mais simples do que a de muitas outras línguas européias, a fonética é muito complicada. Quando se trata de uma segunda língua para todos, fonética simples é fundamental, pois se os sons não forem captados, não será possível falar fluentemente; é preciso ouvir e compreender, antes de ter condições de falar.
Apesar de todas as dificuldades relacionadas à fonética, os homens lutarão para aprender o inglês, pois com ele será possível ganhar dinheiro e só assim o conseguirão. Se as despesas com o estudo forem mais elevadas do que o ganho esperado, facilmente desiste-se do aprendizado.
Na Coréia, sociedade tipicamente de uma única língua, absorvemos a cultura americana diariamente, todos os meses e a todo momento. A Coréia é uma dessas sociedades onde de forma mais intensa ensina-se o inglês como língua estrangeira. No ano passado ( 1997) os pais coreanos pagaram mais de 2.000.000.000.000 de uons ( dois bilhões de dólares americanos) para que seus filhos aprendessem o inglês no exterior. Calculo que além disso, eles tenham gasto várias vezes mais com o ensino dentro do próprio país. O resultado é quase nulo. Acredito que os pais coreanos, de bom grado, pagariam o dobro, mesmo que seus filhos não apresentassem quaisquer resultados, uma vez que maior despesa serve, em primeiro lugar, para dar satisfação aos próprios pais. Com certeza, eles pagariam , sem objeções, o triplo para obter "alguns" resultados, mas sem dúvida, não pagariam o quadruplo sem que houvesse uma sensível diferença no aprendizado do idioma pelas crianças.
Por acaso tais cálculos lhes parecem estranhos? Ora, é difícil definir um limite acima do qual consideraríamos atingidos os resultados no ensino do inglês. Aposto que o quíntuplo do pagamento já provocaria uma diferença. Sei disso por experiência própria. Vocês ficariam espantados ao ler quanto gastei e gasto para estudar inglês.
Aprendi inglês durante 16 anos em escolas comuns. Durante os anos escolares, o inglês é, juntamente com a matemática e o coreano, uma das 3 principais matérias de exames. Os estudante coreanos costumam dedicar um terço do seu tempo ao inglês, um terço à matemática e um terço ao resto. Adivinhem quanto tempo, ao todo, dediquei ao inglês: cerca de 5 a 6 horas diárias! Isso durou até 6 anos atrás. Depois , freqüentei escolas particulares. Até hoje estudo a língua falada durante 3 horas semanais, em curso da companhia onde trabalho e jamais deixei de ler gramáticas e dicionários de inglês. Estudo inglês, aproximadamente, 7 horas por semana. Possuo diploma de mestrado em informática e pretendo fazer doutorado nos Estados Unidos. O tempo que consumi estudando inglês daria para obter três diplomas de doutorado.
Apesar de tanto investimento ainda estou longe da fluência verbal. Estou disposto a investir mais tempo e dinheiro, se necessário, para estudar nos Estados Unidos- mas, outros coreanos também estariam? Certamente que não! Então, a probabilidade que, durante a minha vida, a Coréia se torne um país que fale o inglês é absolutamente zero!
A sociedade coreana prossegue investindo no aprendizado do inglês, mas esse investimento corre o risco de, em breve, superar os limites da praticabilidade. A economia provoca o aprendizado e a mesma economia provocará o cessar do aprendizado.
Além de tudo , há no mundo um obstáculo ainda mais alto: o decorrente da identidade étnica. Nisso parece repousar uma certa esperança para o esperanto. Alguns dos países mais importantes - Japão, Alemanha, França, China e até mesmo a Grã-Bretanha - se enquadram na posição de "minoria lingüística". Eles desejam manter uma política de potência. Na atual sociedade da informação, potência depende em grande parte de diferenças lingüísticas. Grupos políticos freqüentemente afirmam, que perdendo a própria língua , perde-se também seu espírito e sua identidade. Por esta razão eles estão dispostos a gastar muito para proteger com segurança as respectivas línguas, simplesmente porque elas representam uma importante fonte de cultura e de força política.
O fato de o governo coreano estar disposto a aceitar cada vez mais a cultura anglo-americana não se deve apenas às possibilidades de entrada de recursos econômicos, mas também por ser impossível imaginar que os coreanos falariam inglês em futuro previsível. Assim como a Coréia, outros países gastarão cada vez mais com o aprendizado do inglês e isso em breve os levará para além do limite custo/benefício.
Nessa altura, os grupos políticos logo começarão a falar sobre línguas. E a única solução adequada é uma língua comum, politicamente neutra. Favor notar que o debate sobre o problema lingüístico só acontecerá se os grupos políticos não desejarem que o inglês seja a língua comum, pois ele de fato já o é ( até mesmo nas Nações Unidas, onde trabalham profissionalmente muitos intérpretes e tradutores). Por essa razão julgo que jamais o mundo inteiro falará inglês; a política e a economia dificultarão a efetivação desse processo. Suponho que grandes áreas do globo , cada vez mais, se inclinarão para a língua inglesa, mas não o suficiente para que o inglês se torne completamente global.
A área mais extensa do globo, inclinada ao estudo do inglês, é um fértil terreno para o esperanto, pois constata-se, por experiência própria, que nesse pedaço do mundo, de um lado há a dificuldade de uma segunda língua, mas, por outro lado, nele se encontram os mais bem sucedidos aprendizes de idiomas. É pois útil divulgar em inglês informações sobre o esperanto. Que os falantes do inglês façam a propaganda e divulguem cada vez mais o esperanto, utilizando-se do próprio inglês. Fazer isso me daria muito prazer, mas meu conhecimento do inglês , até agora, é insuficiente para bem desempenhar essa tarefa.