( Palestra proferida em esperanto por Floriano Pessoa, no dia 09 de março de 2005, na Associação Esperantista do Rio de Janeiro. Tradução para o português feita pelo próprio palestrante)
1. O problema da comunicação internacional.
Quem observar os contatos internacionais, desde os da diplomacia, até os de simples turistas, verá que o problema da comunicação entre povos de línguas diferentes, longe de estar resolvido, na verdade se agravou, em decorrência do maior intercâmbio entre as nações, exigido pela vida moderna. Até entre Chefes de Estado o diálogo continua a depender de intérpretes porque, mesmo que um conheça a língua do outro, fazem questão de usar seu próprio idioma, em nome da soberania e da dignidade nacional.

Durante muitos séculos, após as conquistas dos romanos, o latim foi a língua usada por intelectuais: filósofos, cientistas, eclesiásticos, que nessa língua publicavam seus trabalhos e mantinham intercâmbio.Também o grego, levado pelos exércitos de Alexandre o Grande, espalhou-se por todo o Mediterrâneo e foi usado como língua franca. Mas latim e grego são muito difíceis e não se adaptaram aos novos tempos.



No século dezenove, o francês era a língua usada nos contatos diplomáticos. Entre a primeira e a segunda guerra mundial, o inglês passou a compartilhar essa função. Com a criação da ONU, logo após a segunda grande guerra, cinco línguas foram adotadas nessa organização como oficiais: inglês, francês, espanhol, russo e chinês. Mas somente o inglês e o francês eram "línguas de trabalho", isto é, aquelas em que todos os documentos da ONU seriam traduzidos. China e Rússia protestaram, pressionaram e, por fim, conseguiram incluir suas línguas entre as "de serviço". Mais recentemente a aceitação do árabe elevou para seis os idiomas "de trabalho" na ONU. Tanto nas Nações Unidas quanto na Comunidade Européia e no Parlamento Europeu, o sistema de tradução simultânea é extremamente dispendioso e sujeito a falhas e imperfeições.

Aliás, o uso de línguas nacionais como internacionais esbarra na dificuldade de aprendizado, sobretudo da pronúncia dessas línguas, cuja distorção chega a irritar os ouvintes nacionais.
Já no século dezessete, o problema da comunicação internacional foi percebido pelos geniais pensadores Descartes e Leibniz, que descartaram o uso de línguas nacionais e propuseram o uso de línguas planejadas, cujas características chegaram a esboçar, sem contudo levar sua concepção ao nível de um projeto prático.
No final do século dezenove, tão forte era a demanda de uma língua neutra que, apesar de suas imperfeições e extravagâncias, foi lançado com algum sucesso o Volapuk,idioma criado por Johann Schleyer . Mas esse projeto durou não mais que dez anos, porque dependia exclusivamente do criador, não dispondo de um mecanismo que lhe permitisse evoluir.
2. A LÍNGUA INTERNACIONAL (DO DOUTOR) ESPERANTO
Nessa mesma época, na pequena cidade de Bielostoque, hoje polonesa,mas então sob o domínio russo, vivia o jovem Lázaro Luis Zamenhof , o melhor aluno de línguas do ginásio local. Longe das ocupações comuns em sua idade, Zamenhof via com tristeza que os habitantes de Bielostoque , - judeus, poloneses, russos, alemães e ucranianos odiavam-se mutuamente e expressavam seu ódio em sangrentos conflitos que pareciam nunca terminar.

Em breve convenceu-se de que toda essa hostilidade provinha da falta de comunicação entre aqueles povos, que falavam línguas diferentes e desconheciam a língua e os costumes dos demais grupos. Decidiu dedicar-se à elaboração de uma língua neutra, adequada à comunicação entre povos de línguas diversas, respeitado o direito de cada um de usar e cultivar a língua materna.
Nas pesquisas que fez, durante muitos anos, Lázaro Luis descartou o grego e o latim, por serem demasiado difíceis e inadequados às necessidades modernas; as línguas nacionais, não só pela dificuldade, mas pela rejeição provocada entre os povos de língua não escolhida. Optou por criar um idioma planejado e, após exaustivos testes, em 1887, publicou seu projeto de língua internacional, num livrinho com a seguinte capa: "Doktoro Esperanto/INTERNACIA LINGVO/Antaŭparolo kaj plena lernolilbro.
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Segundo o próprio autor, são estas as principais características do Esperanto:
-gramática extremamente simplificada (Zamenhof refere-se às 16 regras básicas da gramática do Esperanto);
-sistema peculiar para formação de palavras, tal que permite, a partir de um pequeno número de raízes, formar um vocabulário rico, capaz de expressar todos os matizes do pensamento;
-no Esperanto todas as idéias são desmembráveis em palavras independentes e invariáveis. É pela junção desses elementos independentes que se expressam as várias formas gramaticais e as relações entre as palavras. Por exemplo, a palavra fratino é formada por três palavras: frat(irmão), in(mulher) e o(que é, que existe). A invariabilidade desses elementos (chamados morfemas) torna possível, apenas com o auxílio de um pequeno dicionário (ou chave) traduzir um texto de Esperanto, mesmo que o leitor ainda não tenha aprendido a língua.
-O vocabulário do Esperanto é basicamente europeu, mas a formação de palavras, pela junção de morfemas invariáveis, é característica das línguas aglutinantes (como o turco, o húngaro) e mesmo isolantes(chinês, vietnamita).Trata-se, pois, de uma língua verdadeiramente internacional.
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sano |
sanulo |
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sana |
malsano |
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sane |
malsanema |
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sani |
malsanero |
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sanu |
sanigebla |
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saniga |
resaniĝanto |
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saneca |
sanigilujo |
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sanigi |
remalsaniĝo |
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saniĝi |
sanigilista |
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sanejo |
saniginda |
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sanisto |
malsanemeco |
A UTILIDADE DO ESPERANTO
Os quase cento e vinte anos de uso do Esperanto demonstram que sua utilização como língua-ponte constitui a solução ideal para o problema das comunicações internacionais.
Quem aprende o Esperanto poderá tirar dele o máximo proveito realizando contatos internacionais com clubes, grupos, associações, esperantistas individuais, com a Associação Universal de Esperanto (UEA), com a rede de delegados da UEA; utilizando o Serviço de Passaportes da Associação de Jovens Esperantistas, as Colônias de Férias de Esperantistas; participando dos periódicos congressos internacionais, nacionais e locais; mantendo correspondência, fazendo intercâmbio relativo a um "hobby" predileto; acompanhando programas de rádio e televisão em Esperanto; mantendo contato com a extensa rede de esperantistas da Internet; desfrutando da rica literatura traduzida e original do Esperanto, inclusive sob a forma de fitas de áudio e vídeo, CDs e DVDs.
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Esperantistas individuais |
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Associação Universal de Esperanto (UEA) |
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Serviço de Passaportes da Associação. de Jovens Esperantistas |
Cursos |
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Rede de Delegados |
Literatura |
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Congressos |
Canto |
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Concursos |
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Colônias de Férias |
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A favorável distribuição geográfica dos esperantistas no mundo aumenta a eficiência desses contatos, tornando o Esperanto um veículo de comunicação superior ao de certas línguas com maior número de falantes.
Além de permitir eficiente comunicação, o Esperanto cria e fortalece os laços de amizade e solidariedade entre os povos - objetivo maior de seu criador, Lázaro Luis Zamenhof.
Floriano Pessoa
Março 2005
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