1.Esta breve comparação de características do esperanto com as do latim, do grego e do sânscrito, tem por objetivo:
1.1. mostrar a contribuição dessas grandes línguas de cultura para a formação do esperanto;
1.2. comprovar que o conhecimento do esperanto facilita o aprendizado de outras línguas, mesmo as de alta complexidade;
1.3.dar elementos para que o leitor sinta melhor o valor da língua internacional que, apesar de muito mais simples, expressa o pensamento com rigor equivalente ao dos mais ricos idiomas do mundo;
1.4.apresentar alguns aspectos das línguas clássicas , as quais, por sua concisão, precisão, beleza e riquíssima literatura, constituem patrimônio cultural imperecível da humanidade. E lembrar que o latim, o grego e o sânscrito continuam vivos, em uso, principalmente no léxico das línguas modernas, entre estas o esperanto.
1.5.De fato, o latim vive, não apenas por ser a língua oficial do Estado do Vaticano, mas por sua presença no vocabulário das grandes línguas –e não só nas neolatinas-; pela influência da civilização romana, mormente na área jurídica e na terminologia científica. Advogados falam latim, médicos falam grego, às vezes sem o perceber: “absente reo”( na ausência do reu), “a fortiori”(com tanto mais razão);”data venia”(com a devida vênia ) são expressões latinas de uso rotineiro.Amnésia, anatomia, analgésico, bradicardia são palavras gregas adptadas ao português; ao pedir uma xerox numa papelaria, sem saber a gente está usando o adjetivo grego “kserós”(seco). Mesmo o sânscrito, mais antigo e de região mais remota, dá uma grande contribuição ao nosso falar cotidiano: karma(ação que provoca um reação), chakra (roda, centro de energia), guru(pesado, importante, mestre espiritual), yoga (união, cujo radical aparece também nas palavras jugo, cônjuge, jungir); mântra (vibração sonora); mahatma(grande alma) e muitas outras. O sânscrito é de uso corrente nas comunicações entre brâmanes e intelectuais da Índia; é declarado como idioma principal em recenseamentos, e utilizado em programas radiofônicos indianos.Nessa língua foi escrito o poema “Bhagavad-Gitâ”(Canto do Senhor),um dos livros sagrados do induismo..O latim,por muito tempo foi língua internacional, embora restrito a intelectuais: os matemáticos Newton,inglês,Gauss e Euler,alemães, Janos Bolyai, húngaro, e o astrônomo Copérnico, polonês, são alguns exemplos de cientistas que escreviam em latim.O grego teve também sua fase de língua franca, em consequência das conquistas de Alexandre Magno, que o espalharam por todo o Mediterrâneo. A descoberta e o estudo das semelhanças entre o sânscrito, o latim e o grego, no final do século dezoito, permitiu concluir que essas e outras línguas derivam do mesmo tronco indoeuropeu.
2.Na tabela a seguir, comparamos cada item da gramática básica do esperanto com os correspondentes no latim, grego e sânscrito, para identificar analogias(+) e contrastes(-).O tempo e o espaço disponíveis para este trabalho só permitem uma análise superficial de cada ítem, sendo pois o quadro forçosamente incompleto.
3.Para compensar a aridez da tabela, apresentaremos depois um Apêndice com exemplos colhidos da literatura, informações complementares e curiosidades sobre as línguas comparadas. Finalmente, listaremos algumas conclusões e indicaremos a bibliografia utilizada.
Esperanto Latim Grego Sânscrito 1.Alfabeto
(28 letras)
Acento constante
(+)23 letras. É a base do alfabeto do E.
(-) Acento variável
(-)24letras. Diferente; ver apêndice.
Acento variável
(-) Escrita devanágari (dos deuses); ver apêndice
2.Artigo
La,invariável
(-) Não tem artigo
(-) Artigo definido e indefinido com flexão de gênero e número
(-) Usado com nome próprio..
(-) Não tem artigo.
3.Substantivo
Terminação O
Plural em J (i breve)
Uma declinação
Dois casos
(-)Várias terminações
(+) Alguns plurais em i: magus, magi
(-) Cinco declinações
(-) Seis casos
(-) Várias terminações
(+) Muitos plurais em i: mago, mágoi(
-) Singular, plural, dual
(-) Três declinações
(-) Cinco casos
(-)Várias terminações
(-)singular, plural,dual
(-)Duas declinações
(-) Oito casos -*-
4.Adjetivo
Terminação A
Comparação:(**)
Pli ol/malpli ol
(-) Várias terminações
(-) altus, áltior, altissimus
bonus, mélior, optimus
(-) Várias terminações
(-)termos,termóteros, termótatos
oksís, oksíteros, oksítatos
(-) Várias terminações
(-)guru, gurutara, gurutama
priya, preyams, prestha
5.Numerais
Cardinais invariáveis
Ordinais: termin.A
Distributivos(po du)
Multiplicativos
(obl)
Fracionários:duono
(-)Flexao de gênero e caso
Unus, una, unum(1)
(-)Irregulares: Primus, tertius
(-)Irregulares: binus
(-)Duplex, triplex Semel(uma vez);ter(três vezes)
(-) Flexão de gènero e caso
eis, mia,en (1)
(-) irregulares: Protos, déuteros, tritos
(+)usa preposições, como O esp.: kata ena (=po unu)
(-) díplus, tríplus
(-)tritemárion(1/3),pemptemárion(1/5)
(-) Flexão de gènero e caso
trayas,trini,tisrás (3)
(-) irregulares:
pratham,dvítia,chaturtá
(-)dvis, tris, tchátus
(-)dvítya(1/2), tcháturta(1/4)
6.Pronome
Pessoal:mi,ci,vi,li,ŝi, ĝi,ni,vi,ili,si (n) /regular
Possessivo:mia,via etc
(-)A flexão de caso gera formas irregulares:ego, me, mei, mihi.
(-)meus, mea, meum,tuus, suus, noster,vester
(-)Análogo ao latim:ego,emé, meu, emói
(-)emós, emé, emón, heméteros, himéteros
(-)Flexão de caso:aham, mam,maya, mahyam,mad,etc.
tvam,tvaya,tvad,etc.
(-) mádyia,tvádyia (mas há formas irregulares)
7.Verbo
POR SUA COMPLEXIDADE,SERÁ OBJETO DE TABELA SEPARADA.(II)
{*} Os casos no sânscrito são: nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo, ablativo, in strumental e locativo. No latim não há locativo e instrumental; no grego não há ablativo, locativo e instrumental. No esperanto há somente nominativo e acusativo.
8.Advérbio
Derivados:terminação e
Primitivos: várias terminações
(iam, iom, baldaŭ,ĵus, for etc)
(+) em muitos advérbios, a derivação é análoga à do esperanto: de certus,a,um, nasce certe(certamente); mas há irregularidades:fortis gera fórtiter e não forte.
(-) pás(todo)/pánto (totalmente) ;ón(que é)/ óntos (realmente);
Os primitivos são variados e Irregulares: prin(antes), témeron (hoje), áurion(amanhã).
(-)pratár(cedo), punár(novamente),
ahtár(dentro), muhúr (subitamente)
9.Correlativos
tiu,kiu,iu,neniu, ĉiu,
tio,kio,io,nenio,ĉio,etc
--- (+) O grego tem um sistema semelhante
ao do esp.,porém menos completo:
tis(iu),tis(kiu?),óstis(kiu);poiós(ia),poiósde
(tia), ópoios(kia) etc
--- 10.Preposições
Por si mesmas, requerem o nominativo;
O alvo de um movimento recebe o sinal do acusativo(n).
(-) Os casos variam conforme a preposiçõo usada.
(+) Verbos de repouso: ablativo;Verbos de movimento: acusativo:
(-) Os casos variam conforme a preposição;
(+) O alvo de verbos de movimento é posto em acusativo:
(-)casos variam conforme a preposição
(+) alvo de verbos de movimento em acusativo.
11.Conjun-
ções
A conjunção kaj existe, sob forma algo modificada, nas 4 línguas:
(+) que
(+) kai
(+) ca (pronúncia:tcha)
12.Negação
Apenas uma negativa na frase
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(+) vadáti (vai)
Na vadáti (não vai)
13.Forma-ção de palavras
vapor-ŝipo, belson-a
---
(+) tauro-kéfalos
(taurocéfalo)
arhétipos (arquétipo)
(+)radjapurusapátni (mulher do servidor do rei)
rádja= rei;purusa=servidor;pátni= mulher
14.Orações
A ordem das palavras é mais livre que em português, mas deve atender à clareza e a certos usos do idioma.
Discurso direto/indireto;
Mesmo tempo verbal
Orações participiais
No Esp. não existem orações participiais absolutas
Partícula interrogativa (ĉu)
(+) declinações permitem certa liberdade, mas há usos consa-grados, p.ex.,verbo principal no fim.
(-) No latim muda não só o tempo,mas também o modo verbal.
(-) A participial absoluta vai p/ o ablativo.
(+) partícula NE(jamne vides?/ já vê?)
(-) No grego muda o tempo verbal.
(-) a participial absoluta vai p/ o genitivo
(+) o grego usa várias palavras interrogativas, conforme o tipo de resposta esperado.
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(**) alto, mais alto,o mais alto, ou altíssimo;bom, melhor, ótimo; quente, mais quente, o mais quente;agudo, mais agudo, o mais agudo;pesado, mais pesado, o mais pesado;querido, mais querido, o mais querido.
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Vozes:
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ativa, passiva, medial |
(-) ativa e passiva |
(+) ativa, passiva, medial |
(-) ativa e medial
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Modos: |
indicativo,condicional, volitivo |
(-)indicativo, subjuntivo, imperativo
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(-)indicativo,subjuntivo, imperativo,optativo
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(-) indicativo, subjuntivo,imperativo,optativo.
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Formas nominais:
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Infinitivo, particípio(na forma adverbial=gerúndio)
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(-)infinitivo,particípio, gerúndio, gerundivo, supino
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(+) infinitivo, particípio
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(-) infinitivo,particípio, gerúndio,gerundivo |
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Tempos:
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Presente(as), passado(is),futuro(os) |
(-)presente, imperfeito, perfeito, mais que perfeito, futuro |
(-)presente, imperfeito,AORISTO,perfeito, mais que perfeito,futuro,futuro perfeito. |
(-) presente, imperfeito, perfeito,AORISTO e futuro.
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Aspectos
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São expressos por afixos (ek, iĝ,ad, el, fin-, sat-), ou por advérbios(ofte, ripete), e pelas terminações dos particípios pas- sivos(at/it)
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(-)no grego,presente=ação continua,em andamento; imperfeito=ação ina-cabada, repetitiva; perfeito= ação con- cluida; AORISTO=ação pontual, instantâ- nea, no passado(sem informar se foi terminada, ou não.)
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Observações
1.No latim: o supino indica finalidade: hostes venerunt deletum oppidum (os inimigos vieram para destruir a cidade.Res facilis dictu (coisa fácil de se dizer). O gerúndio equivale um substantivo verbal :ars legendi ( a arte de ler, da leitura); o gerundivo é um adjetivo verbal: liber legendus(livro que merece ou deve ser lido). Em esperanto essas frases se traduzem por: la malamikoj venis por detrui la urbon;io facile direbla; la arto legi, ou la arto de legado; leginda(ou legenda) libro.
2.O grego é extremanente rico em formas participiais, que são preferidas na construção das orações. Algumas vezes a duas ou mais formas diferentes do grego corresponde uma só forma em esperanto(ou em outras línguas), e é necessário expressar a diferença de aspecto entre elas através de advérbios ou afixos.
1.Exemplos da literatura
1.1.Uso do artigo : Abraam eguénessen ton Isaak ( NT,Mat.,1.2)
Abraaham genuit Isaac
Abraham generis Izaakon(Al Abraham naski^gis Isaak.)
Esta frase também mostra que o artigo definido masculino(ó),do grego pode ser usado com nomes próprios, e foi para o acusativo(ton),por ser o objeto direto de um verbo transitivo.
1.2 “Tu de Iesu guenethéntos em Bethléem tes Iudaias, en hemérais Heródu tu basileos,idu mágoi apó anatolón paraguénonto eis Ierosólima” (mesmo, 2.1)
“Cum ergo natus esset Jesus in Bethleem Judeae, in diebus Herodes rex, ecce magi ab oriente venerunt Hierosolymam”…
Kaj kiam Jesuo estis naskita en Bet~Leem de Judujo,en la tempo de la reĝo Herodo,,jen saĝuloj el la oriento venis al Jerusalem...”
Este texto exemplifica:
a) oração participial absoluta, usual no grego,no latim e em português, mas não permitida em Esp.;
b) o plural em i breve(mágoi); o plural latino(magi); o aoristo(passado indefinido) paraguénonto e. finalmente, o acusativo para o alvo de um movimento, tanto no grego (eis Ierosólima) quanto no latim(venerunt Hierosolymam).
1.3 “.Eguerthéis de o Iosef apó tu ípnu, epóiessen os prossetáxen autó ó ángueloss kiríu, kaj paraláben ten guináika autu.” (NT, Mat.,1.22)
“Exsurgens autem Joseph a somno, fecit sicut praecepit ei angelus Domini: et accepit conjugem suam”
“Kaj Joseph, leviĝinte el sia dormo faris, kiel ordonis al li la anĝelo de la Eternulo, kaj prenis al si sian edzinon.”
Neste caso o esperanto, da mesma forma que o latim e o grego, está usando oração participial, porque o sujeito do particípio e o do verbo em forma finita são o mesmo(josef).Notem novo exemplo de acusativo do objeto direto, nas três línguas: paraláben ten ginaika, accepit conjugem, prenis al si la edzinon.
1.4 “Pu estin o tehsteis basileus ton Iudáion;éidomen gar autu ton astéra en te anatolé, kai élthomen proskinésai autu”. (mesmo, 2.2.)
“Ubi est qui natus est rex Iudeorum?Vidimus enim stellam eius in oriente, et venimus adorare eum”
“Kie estas tiu, kiu estas naskita Reĝo de la Judoj?ĉar ni vidis lian stelon en la oriento, kaj venis, por adorkliniĝi al li”
Temos aqui três exemplos de aoristo: o particípio aoristo passivo tehsteis(ĵusnaskita ou Kiu estis naskita);éidomen (ni vidis); élthomen(ni venis) e proskínesai(adorkliniĝi al ou adori).Os dois primeiros são de fácil entendimento, mas o uso de aoriisto infinitivo( em vez do infinitivo simples) é mais sutil e, acredito, só se explica por alguma conotação de aspecto verbal, que o esperanto e o latim não refletem. Notem, nas três línguas, o uso de acusativo para o objeto direto(éidomen ton astéra),(vidimus stellam eium) e (ni vidis lian stelon).
1.5.”Akúsas de o basiléus Herodes, etaráhste kai passa Ierosólima met’ autu.” (mesmo,2.3)
“Audiens autem Herodes rex, turbatus est et omnis Hierosolyma cum illo.
“Kiam pri tio aŭdis reĝo Herodo, li ektimis, kaj tuta Jerusalemo same”.
Neste exemplo, grego e latim usaram formas participiais(no grego, o particípio aoristo). O esperanto poderia ter usado o gerúndio aŭdinte, mas o tradutor preferiu ‘kiam pri tio aŭdis”. Interessante notar que grego e esperanto esprimem o aspecto de ação súbita, respectivamente pelos prefixos e e ek.
1.6 Eis uma construção típica da preferência pelo uso de particípios no período grego:
“O dehómenos imas emé déhetai, kai o emé dehómenos déhetai to apostéilanta me.”
“Qui recipit vos, me recipit; et qui me recipit, recipit eum qui me misit”.
“Kiu vin akceptas, tiu min akceptas; kaj kiu min akceptas, tiu akceptas Tiun, kiu min sendis”.
Se fôssemos traduzir ao pé da letra o texto grego, deveríamos escrever: La akceptanto de vi, akceptos min, kaj la akceptanto de mi akceptas la sendinton de mi.” , construção não usual em esperanto.Vejam que o latim também não usou as formas participiais.
Quem conhece o sistema verbal do esperanto assimila com facilidade essas construçoes do grego.
1.7.Concisão latina e grega
As flexões de casos permitem às línguas clássicas, sobretudo ao latim, construções compactas,em que muito se pode dizer, com poucas palavras. Vejamos alguns provérbios ou aforismos:
Multa paucis = multon(diri) per malmultaj vortoj.
Ex ungue leonem= Per la ungoj (oni konas) leonon.
Eks ônikos ton leonta = “ “
Téttigos eufonóteros = pli harmonia ol cikado. (téttix=cikado / éufonos=harmonia, agordita)
Hrísea halkéion = ŝanĝi orajn(armilojn) kontraŭ bronzaj. (hrisós=oro/ halkós= bronzo)
Apollineo pulchrior ore= pli bela ol la vizaĝo de Apolono.
1.8.Algo sobre o SÂNSCRITO
- A palavra sânscrito significa “elaborado, acabado”,perfeito, “construido segundo a gramática”;
- Ao descrever a articulação das várias consoantes, (labiais, dentais, línguo-dentais), as gramáticas mencionam consoantes “cerebrais”.Como articular uma consoante com o cérebro?
O que se pretende é que essas consoantes sejam articuladas levando a ponta da língua ao ponto mais alto do palato(céu da boca), onde faria contato com uma região proxima ao cérebro
-Alguns cardinais do sânscrito; eka(1), dvá(2), tri(3), tchatúr(4), pántcha(5), sás(6), saptá(7),astá(8),náva(9), dása(10);ekadaça (11),vínsati(20),trínsati(30), satá(100), sahásra(10000),prayúta(1000.000) etc.
-É comum palavras compostas serem formadas por até 20 morfemas, o que produz vocábulos muito extensos.Ex,;:sakalahitsastrattaatvajna= que conhece a essência dos livros de comportamento”;mattamatangagamin=”que se move como um elefante louco”.
-O vocabulário apresenta muita analogia com outras línguas indo-européias e, consequentemente, com o esperanto. Alguns exemplos: adya(hodiaŭ), pádah(piedo), hrdayah(heart, herz),ubah(ambaŭ), naman( nomo), bhrátar ( brother, bruder),vatch (voĉo), giri(gorá –montanha, em russo), pitar(patro), sama(sama),etc.
-Um pequeno trecho do Bhagavad-Gitâ:”sri-bhagavan uvaca/cisamsayam maha-baho/mano durnigraham calam/abhyasma tu kaunteya/vairagyena ca grhyate/. Significado das palavras:sri-bhagavan=personalidade de Deus;uvaca=disse;cisamsayam=indubitavelmente;maha-baho=ó Arjun de braços poderosos/mano=mente/durnigraham= difícil de conter/calam=flutuando;abhyasma=na prática;tu=mas;Kaunteya= ó filho de Kaunti;ca=e, tambem;;grhyate=pode controlar-se assim.Tradução: o bem-aventurado Senhor disse:ó filho de Kaunti, de braços poderosos, é indubitavelmente dificil conter a mente inquieta, mas isso é possível pela prática constante e pelo desapego.
4.CONCLUSÕES
4.1.Há muitas analogias entre o esperanto e latim, o grego e o sânscrito:
a) no vocabulário, predominam elementos latinos; mas da existência de tantos pontos comuns entre essas línguas clássicas decorre que todas têm uma significativa contribuição para o léxico da língua internacional.O percentual de participação de cada uma dependerá do critério que adotarmos: por exemplo, a palavra geografio é de origem grega, mas existe no latim e em numerosos outros idiomas;se atribuirmos ao grego apenas aquelas raizes exclusivamente gregas, não encontradas no latim e em outras línguas, o percentual cairá muito; se computarmos termos internacionais como geografio, anatomio, a participação grega será grande.
b)as estruturas gramaticais mostradas nas tabelas 1 e 2 e no Apêndice deste resumo evidenciam muitas analogias entre o esperanto e as línguas clássicas;
4.2.Os contrastes, porém, são mais numerosos:
a) O esperanto é um idioma regular; o latim, grego e sânscrito, muito irregulares;
b) O esperanto é analítico, usa mais preposições, nele predominam as construções com o verbo na forma finita. As línguas clássicas são sintéticas, mais concisas, com muito mais flexões, declinações, casos;usam mais orações participiais;
c) Embora o léxico do esperanto seja indo-europeu, sua estrutura é de língua isolante/aglutinante, enquanto as línguas indo-européias são flexivas.
4.3.Quem aprende o esperanto e se familiariza com seu sistema verbal não encontra dificuldade para entender o complexo uso dos particípios gregos, difícil de assimilar por alguem que, por exemplo, só conheça o inglês.Reciprocamente, quem conhece as línguas clássicas, nenhuma dificuldade encontrará para aprender o esperanto.
5.BIBLIOGRAFIA
Eis algumas obras usadas na elaboração deste trabalho::
.5.1.F.Kinchim Smith:”Aprenda sozinho o latim”;
5.2..Paulo Ronai:” Não perca o seu latim;”
5..3.Napoleão Mendes de Almeida:”Noções Fundamentais da língua latina”
5.4.F.K.Smith/Melluish:” Teach yourself Greek”
5.6. Parreiras-Horta, Guida:” Os gregos e seu idioma”(2 vols.)
5.7. Berenguér-Amenós:”Gramática griega elemental”
5.8.Freire: “Gramática grega”;
5.9.”Isidro Pereira: Dicionário grego-port./port.grego.
5.10 Whitney:”Sanskrit grammar;”
5,11,McDonnel:” A sanskrit grammar for students;”
5.12 Burrow:” The sanskrit language”;
5.13 Salles, Ricardo:”O legado de Babel”(vol.1)
5.14 A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada:”O Bhagavad-Gitâ como ele é.’”
5.15 “Novo testamento trilingue”
(*) Palestra apresentada por Floriano Pessoa, no "Encontro com os Mestres", na Associação Esperantista do Rio de Janeiro, em 16.03.2002)