"Esperanto e Globalização da Comunicação"

 

Às tercas-feiras , na Gazeta Petropolitana.

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,

Por Fernando J G Marinho

marinho@npoint.com.br

 

N°4- 30.3.99

 

 

CONGRESSOS E ENCONTROS DE ESPERANTISTAS

 

O artigo que se segue foi publicado originalmente em alemão, no jornal BADISHES TAGBLATT Bühl( n° 186, de 14.8.98). Um julgamento apressado poderia nos levar a crer que se trata de uma notícia fora de época, pois o evento descrito no artigo ocorreu há alguns meses. Acontece, que o mais importante, no caso, não são as datas do acontecimento, mas a riqueza das informações fornecidas. Além do mais, já que a reportagem do Badishes Tagblatt deixou de circular na imprensa brasileira ,no suposto momento oportuno, o assunto permaneceu, até agora, fora do alcance público , mantendo portando as características de "novidade". Esperamos que os leitores desta coluna concordem com o nosso ponto de vista e que continuem querendo saber cada vez mais sobre o movimento esperantista.

 

A versão ,do alemão para o esperanto, foi feita pelo dinâmico brasileiro James Piton, incansável membro do Kultura Centro de Esperanto ( Campinas-SP)< http://www.esperanto.cc> , que aparece na extremidade esquerda da foto, ao lado do amigo e co-idealista Franz Braun. Do esperanto para o português, a tarefa foi nossa.

 

Braun, há cerca de dois anos esteve no Brasil, como executivo da firma alemã Boshc, visitando as instalações de uma das filiais daquela grande empresa, em Campinas-SP. De passagem pelo Rio de Janeiro, foi recebido pelo autor desta coluna, que teve a satisfação de acompanhá-lo numa longa visita aos pontos turísticos mais atraentes da Cidade Maravilhosa. É bom que se diga que o seu contato com Braun ocorreu para atender solicitação de um outro amigo, lá de Itabuna-BA, que havia se tornado correspondente do visitante e que pretendia "ciceroneá-lo" à distância . Aí está um exemplo de como surgem amizades duradouras no meio esperantista. Passemos agora à matéria do jornal:

 

ENCONTRO PACÍFICO DE HOMENS DE TODAS AS PARTES DO MUNDO

 

 

 

 

Cinco homens, cinco continentes. Da esquerda para a direita , representantes do Brasil, Alemanha, Benin, Japão e Austrália.

 

 

Bühl- Regressou de Montpelier, sul da França, Franz Josef Braun, de Bühl-Balzhofen. Ele acabara de participar do Congresso Internacional de Esperanto, naquela cidade. Durante uma semana inteira, 3133 esperantistas, de 62 países, abrangendo todos continentes, reuniram-se no centro de convenções "Le Corum". Eles não sentiram necessidade nem de intérpretes, nem de instalações para tradução simultânea; o único instrumento para a compreensão recíproca era a língua "deles", a língua planejada esperanto, idealizada há 110 anos pelo oculista judeu-polonês Dr. Ludovico Lázaro Zamenhof.

 

O Livro do Congresso, de 160 páginas, continha não só endereços dos participantes, mas também a programação com cerca de 200 itens. Desse modo, cada congressista podia montar o seu próprio "cardápio", optando por exemplo entre palestras da "Universidade Internacional do Congresso", seminários, peças teatrais, concertos, excursões, assembléias, reuniões anuais de associações específicas, como dos ferroviários, dos médicos, juristas, comunidades religiosas, filatelistas, ou de aficionados do turismo.

 

Para Franz Josef Braun o assunto mais importante foi a reunião anual do Grupo Internacional de Comércio e Economia ( Internacia Komerca kaj Ekonomia Fakgrupo) , do qual ele é presidente há vários anos, tendo inclusive sido reeleito para o cargo em Montpelier. Após a reunião anual, foi feita uma visita coletiva à Câmara da Indústria e Comércio de Montpelier, onde discutiu-se com a Direção da Câmara a respeito dos problemas de ordem econômica da região Languedoc-Roussillon , do sul da França. Dentre outras atividades, Braun participou como "plantonista" do Estande Berlim, que esteve permanentemente cercado de pessoas e que funcionou como um órgão informativo para o próximo Congresso Universal ( 31 de julho a 7 de agosto de 1999)< http://www.Esperanto.de/uk99> . Participando de excursões, Braun visitou o antigo palácio papal de Avignon, a fértil região Provence e a Fonte de Vaucluse.

 

O tema geral do Congresso deste ano foi influenciado pela pouca distância entre a cidade e o mar: "Mediterrâneo- ponte entre culturas ". Em várias palestras e debates foram tratados diversos aspectos desse tema. A língua-planejada esperanto expande-se cada vez mais, embora o público da Europa Ocidental não perceba isto devido à hegemonia do inglês. Argumentando a respeito, Braun cita dois exemplos : O movimento esperantista no Vietnã cresce bastante; lá será realizado no ano que vem (1999) o 3° Congresso Asiático de Esperanto. Pela primeira vez, um africano foi eleito membro da associação Mundial de Esperanto e, também pela primeira vez, um australiano, Kep Endebery, tornou-se presidente dessa entidade.

 

Mas, o alvo estratégico é a União Européia, cujo acréscimo de adesões de países da Europa Cental e Oriental, certamente, provocará a ampliação do problema lingüístico, dificuldade que o esperanto teria condições de resolver. Esta língua não visa subjugar os idiomas nacionais, mas simplesmente servir como a segunda língua para todos. O esperanto , segundo Braun, é aprendido com facilidade, devido à sua construção lógica, à regularidade de sua gramática, o seu vocabulário internacional e ainda devido à coerente correspondência entre a língua escrita e a falada. Em comparação ao inglês e ao francês, para o seu aprendizado necessitamos de apenas um quinto a um terço do tempo.

 

Por ocasião do encerramento do Congresso, do mesmo modo que é feito nos Jogos Olímpicos, foi feita a transferência da bandeira do esperanto ao representante de Berlim, cidade que sediará o Congresso de 1999. O clima desses encontros é sempre caracterizado pela convivência pacífica entre homens de todas as cores, religiões e convicções. O novo presidente, Kep Endebury, concluiu em sua palestra de encerramento: "Nós, que vivenciamos o clima de um Congresso Universal como este, a rigor, devemos ter pena de todos aqueles que desconhecem o esperanto". Franz Josef Braun, desde o seu primeiro contato com esta língua, há quinze anos, está convencido da justeza desta afirmação.

 

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