"Se eu quisesse resumir meus argumentos sob a forma de teses, uma destas seria que a antropologia e as ciências a ela ligadas têm, até hoje, prestado muito pouca atenção ao conceito de jogo e à importância fundamental do fator lúdico para a civilização."
Johan Huizinga ( autor de "Homo Ludens- o jogo como elemento da cultura", Editora Perspectiva S.A.)
Anos atrás, tomei conhecimento da existência de um jogo que ocupava o primeiro lugar entre as distrações praticadas nos lares japoneses. Refiro-me ao Go, que consiste em um tabuleiro e 381 peças semelhantes às pedras do jogo de damas.
Posteriormente, fiquei sabendo que a literatura sobre o Go, no Japão, é tão ampla quanto a literatura enxadrística existente no resto do mundo. Fazem parte dessa literatura: material de estudo, livros diversos, catálogos contendo coleções de partidas de famosos jogadores, revistas mensais e semanais, colunas especializadas de diferentes jornais etc. Por isso, como afirma um aficionado do Go, em artigo publicado na imprensa esperantista, "não é de se admirar que centenas de campeões do Go recebam o seu ganha-pão, ou melhor, o seu ganha-arroz, através desse jogo. O mesmo ocorre com um exército de comentaristas ( inclusive de televisão) e proprietários de salões destinados à prática do Go."
As informações acima aguçaram minha curiosidade. Não encontrando, naquela ocasião, nenhuma obra sobre o assunto , em língua portuguesa, e já cansado de explicar aos vendedores de inúmeras livrarias do Rio de Janeiro, o que era o tal jogo, resolvi escrever para a Liga Internacional Esperantista de Go, sediada em Tóquio.
Um dos resultados desse contato foi a tradução que fiz da obra "Invito ao Go-ludo" ( Convite ao "Go") do Sr. Minosuke Emori. A tradução não chegou a ser publicada , mas, para mim, consistiu em um trabalho extremamente interessante. Não bastasse o prazer do aprendizado do jogo surgia ainda a oportunidade de reflexões. Quantas descobertas! Eis algumas: tanto as regras fundamentais que regulam o jogo, como as que regulam o idioma internacional, são pouco numerosas e de uma simplicidade surpreendente; tanto os apreciadores do jogo, como os do idioma, na medida em que se aperfeiçoam no emprego dessas duas fascinantes criações, ficam cada vez mais deslumbrados com as inúmeras possibilidades, que tão poucas regras são capazes de gerar; ambos, jogo e língua possibilitam o intercâmbio de emoções entre pessoas das mais diferentes raças, credos e condições culturais; tanto o jogo, como a língua aproximam pessoas de interesses afins; tanto um , como o outro, provocam o surgimento de associações, institutos, ligas, cursos e clubes. E, quando essa afinidade de interesses se estende à mais de uma área de atividade , simultaneamente, aparecem então as entidades do tipo da Liga Internacional Esperantista de Go, cujos objetivos são: difundir o esperanto através do Go e o Go através do esperanto.
Já que falamos em clubes e associações que congregam membros interessados, em mais de uma área de atividade, valeria a pena mencionar que no Anuário da Associação Mundial de Esperanto/2000 constam mais de 76 endereços de entidades esperantistas ligadas a temas diversos, tais como: filatelia, rádio-amadorismo, medicina, rotarianismo, matemática, escotismo, pedagogia, enxadrismo, filosofia, jornalismo, direito, turismo, ecologia, comércio etc.
Sem dúvida,o conhecimento do esperanto nos habilita a um melhor intercâmbio de idéias e de informações. Descubra o esperanto e o fascinante "Go". Não deixe de visitar o sítio www.esperanto.org.br .