Meu caro Roger,
Espero que o seu curso de pós graduação em Project Management, na UC BERKELEY, esteja lhe proporcionando em dobro as alegrias que você proporcionou a todos nós daqui do Brasil,assinantes da lista Eki (www.esperanto.org.br/eki), que tivemos a ventura de ler na íntegra o seu fantástico "Diário do Congresso".
Não pretendia voltar a escrever na minha coluna semanal sobre o 36° Congresso Brasileiro de Esperanto, ocorrido aqui em Petrópolis entre 12 e 16 de julho p.p. Mas, não resisti à tentação de tentar passar para os meus leitores alguns trechos do que você narrou com tanta propriedade:
"... Abertura solene do congresso e programação artística de primeiríssima, música clássica e cantaram o hino do esperanto. Foi arrepiante, muita emoção mesmo, centenas de pessoas cantando em esperanto. Não posso descrever em palavras, foi uma experiência extra sensorial...Na quinta-feira era só esperanto pra cima e pra baixo, no ônibus, no restaurante, no cachorro quente (varma hundo!).... O que vc apreende em cinco dias de congresso vc levaria um ano para fixar na mente.... A palestra do ciclista que come rapadura e conheceu o mundo por saber esperanto e comer rapadura foi demais! ... Ele tinha um chapéu russo, daqueles de filme, e mostrou os vídeos e fotos de suas viagens pela Europa e pelo Brasil. Histórias fantásticas, tudo possível através do esperanto! Cada lugar maravilhoso, cada cenário belíssimo, cada comentário fascinante. ..Hoje eu descobri que ser esperantista é ser privilegiado culturalmente, pq o pessoal se esforça muito para fazer as coisas de primeira linha. Teve crianças cantando, teve uma peça de teatro do grupo de Pato Branco-PR, onde a Srta. Paulina estava linda como sempre (toda de branco! *suspiros*), teve o momento poético e ainda o mega-show de violão e voz (na verdade teve dois) do Leonardo Janz, de Curitiba.... Logo pela manhã fui na livraria (libroservo) da BEL. Jorge Teles estava lá, adquirindo coisas impensáveis que só existem em esperanto. Por exemplo, contos e fábulas de países do Leste Europeu. Ou seja, os "Saci-Pererês deles" - livretinhos de estórias da Romênia, Bulgária, Rússia, Polônia, e por aí vai... eram muitos mesmo...Comprei tb o livro do Franz Kafka, A Metamorfose!!! ...E ,comprei o mais bonito e colorido, TINTIN em esperanto!!...E sexta feira, minha gente, foi IMPRESSIONANTE. Teve coral e teve "o fenômeno musical, o jovem Antônio Moreira Filho, de São Paulo, faz com que qualquer um cante em Esperanto"!.... Capoeira e rap em esperanto... Essa vcs jamais poderão imaginar, nem que eu explicasse. A garotada dançando no palco e o Antônio disparando dezenas de vortoj(=palavras) por segundo...E finalmente o mega-show da Banda Merlim, o Jota Quest do Esperanto. Sério. Foi excelente. .....Na primeira música a galera tentou se segurar, mas não deu. A moçada foi para a frente do palco e tomou conta do teatro, pulando, berrando, cantando junto, batendo palmas, dançando....E as meninas desmaiando por causa do guitarrista? ... Aproveitei o sábado para dar um pulo na Arta Ekspozicio organizada pela (ilustríssima!) sra. Maria Almada, onde pude conferir alguns 'óleo sobre tela' bem bonitos. Mas... a tarde reservava um passeio espetacular, pelos castelos de Petrópolis! .... Simplesmente inesquecível!...Petrópolis parece a Europa, eu sabia....Bem, logo de manhã foi aquela correria, todos arrumando suas malas e indo para o Teatro Santa Cecília, para o encerramento do congresso ....foram exibidas no telão as reportagens que passaram na tv local, muito legal mesmo! ...Mas o mais emocionante foi a emoção de nosso caríssimo Fernando Marinho, que sintetizou em três palavras: ni ploru kune!(choremos juntos!) Foi aquela choradeira geral,todos se despedindo, abraços, beijos, e correria... e eu deixando e-mail, cartão de visita e telefone com o povo, abraços pros manos, beijos pras minas, e minha mochila preta nas costas cheio de bilhetinhos dos amigos...Bem, chegando em Campinas, tudo parecia estar acabado... foi como acordar de um sonho, um sonho muito bom!! "
Valeu, amigão! Até breve!