REBELDIA CRIATIVA

(*)Fernando J G Marinho

 

Esta é a tentativa de uma reprodução apenas parcial de uma matéria que li há poucos dias e que andou circulando pela Internet:

Estudante decepcionado com o fato de haver tirado nota zero em uma prova de física, ao invés da nota máxima que estava esperando, revela-se extremamente criativo e provoca sérias reflexões. O problema que lhe fora proposto consistia em descrever como calcular a altura de um prédio, com o auxílio de um barômetro. Solução apresentada pelo estudante, de forma resumida: "Amarrar um barbante na extremidade do barômetro e fazê-lo descer do terraço do prédio até a calçada. Recolher o barômetro e medir o comprimento do barbante utilizado."

Diante da inconformidade do jovem com o grau obtido, foi designado outro professor da matéria para julgar a questão. Resultado: Embora o valor da altura do edifício pudesse ser obtido pela forma descrita, por tratar-se de uma prova de física, ficou estabelecido que a solução deveria abordar procedimentos que revelassem o conhecimento dessa ciência. Para encurtar a conversa: Foi dada nova oportunidade ao rapaz, para que ele apresentasse outra solução. Ele demonstrou ser capaz de chegar aos mesmos resultados, optando por caminhos diversos. Todos, surpreendentemente originais, com o auxílio do barômetro, porém evitando explorar suas propriedades intrínsecas. Uma das soluções propostas foi lançar o barômetro do alto do prédio e medir o tempo de duração da queda do mesmo. Com a aplicação de uma das fórmulas da física, envolvendo espaço, aceleração da gravidade e tempo, seria obtida a altura da construção.

Bem, vencido pelo cansaço e pela argumentação, o professor-árbitro acaba reconhecendo o mérito do aluno e lhe atribuindo uma nota próxima da máxima. Mas, não resiste à curiosidade e pergunta se o estudante saberia de fato resolver o problema pelo método tradicional. Outra resposta surpreendente e que provoca sérias reflexões: "Claro que sei, mas estou farto de ser submetido a treinamentos para pensar da forma que os outros querem que eu pense!"

Não me causaria nenhuma surpresa, se mais adiante viesse a informação que o herói dessa história era um apaixonado pelo estudo e pela divulgação do esperanto. São justamente pessoas desse tipo, capazes de imaginar soluções novas e criativas para problemas aparentemente insolúveis, que teimosamente insistem em convencer os demais a respeito da necessidade de mudarmos a forma rotineira de enfrentarmos certos problemas.

Para concluir, eis um convite à reflexão:

Todos estamos fartos de saber e os veículos de publicidade insistem em apregoar que o aprendizado da língua inglesa é fundamental para quem quer vencer na vida. A pergunta é a seguinte: É justa essa situação? A situação atual é a ideal? Haveria como modificá-la? Não seria muito mais lógico se todos os povos canalizassem seus esforços para o estudo de apenas duas línguas: a sua própria e o idioma neutro internacional esperanto? Esse é um tema que merece ser examinado pelos que gostam de refletir sobre a filosofia da educação e pelos que acreditam que não vieram ao mundo a passeio.

Para início de conversa, sugerimos uma visita à página da Liga Brasileira de Esperanto: www.esperanto.org.br

Outra opção: Uma leitura, ainda que superficial, dos artigos que já publicamos neste jornal e que estão disponíveis no seguinte endereço eletrônico: www.npoint.com.br/sementeira/dpartig.html

 

(*) marinho@npoint.com.br

Voltar à relação dos artigos publicados no Diário de Petrópolis