Novamente recorremos à lista de debates Eki ( http://www.esperanto.org.br/eki) para buscar inspiração. Sem qualquer esforço, encontramos algo que merece ser reproduzido: um depoimento do próprio idealizador dessa lista, criada com o objetivo de auxiliar os que estão dando os primeiros passos no movimento esperantista ou os que procuram maiores informações sobre a língua neutra internacional esperanto. O depoimento surgiu como resposta à uma mensagem de uma universitária , que havia escolhido o tema ESPERANTO para o desenvolvimento de um projeto no campo da Lingüistica. Depois de esclarecer que já havia feito várias pesquisas em livros e na Internet, a jovem concluiu que seria muito útil complementar as informações teóricas disponíveis com outras colhidas de quem utiliza na prática o esperanto.
Eis aqui algumas das perguntas formuladas e as respectivas respostas fornecidas pelo amigo Adonis Saliba, engenheiro, astrólogo, autor de um curso gratuito de esperanto pela Internet(http://pagina.de/curso.esperanto):
- Como e quando você conheceu o esperanto?
R: Em 1968, Belo Horizonte, tinha 15 anos. Estava criando um idioma internacional e minha mãe me disse que já existia o esperanto. Aprendi a língua em 3 meses e desde então o ensino.
- Quais meios de aprendizagem foram utilizados? (apostilas, curso pelo rádio, televisão, Internet, ou outros)
R: Aprendi com um professor, em 10 lições semanais.
- Qual o tempo aproximado para a assimilação do esperanto?
R: Normalmente, com um estudo dedicado ao idioma, um brasileiro aprende o idioma de 3 a 6 meses, com uma dedicação de 5 a 10 horas semanais.
- Na prática, o esperanto lhe foi útil? Se pudesse citar exemplos...
R: Muito útil. Ganhei uma bolsa da Fundação Rotária na Inglaterra, só pelo fato de dizer que falava esperanto. Isto foi um grande diferencial em relação aos concorrentes. Já visitei 20 países do mundo. Em todos pude conhecer os países por dentro, através dos próprios nativos destes países que falavam esperanto. Pelo inglês jamais consegui passar do estágio comercial do idioma e nunca consegui fazer amigos no exterior. Com o esperanto, sempre tive amigos antes de conhecê-los, além de me sentir em meu ambiente em qualquer lugar do mundo que tenha visitado.
-Você vê o esperanto como uma língua fracassada, ou morta, como muitas pessoas o vêem hoje?
R:O Esperanto é uma língua super importante. É falada em mais de 100 países e não pertence a qualquer deles. É uma língua viva. Eu a falo várias vezes durante o dia, através da Internet e encontro o meu povo quando vou aos congressos internacionais. Para mim a língua é um sucesso desde quando deixou de ser um projeto há 113 anos para se tornar uma língua viva e pujante na poesia e literatura. Tenho o prazer de falar uma língua riquíssima ,pois é um somatório de culturas dos mais de 100 países onde o nosso povo vive. Isso é sucesso e nunca um fracasso. Muitas línguas vão desaparecer nos próximos anos, mas o Esperanto se torna cada vez mais vivo.
-Quais suas expectativas ou perspectivas para o futuro do esperanto?
R: Nunca será uma língua de um país, mas do mundo. Os esperantistas lutam pelo uso do esperanto aceito pela comunidade mundial de uma forma pacífica, mas infelizmente não vejo o mundo o adotando por meios de paz, mas somente depois de sofrimentos em graves desentendimentos. A humanidade gosta de sofrer, infelizmente. Nós, esperantistas, temos uma solução pacífica de compreensão para a humanidade. Queira Deus que a humanidade não demore muito a viver as benesses de nosso mundo do esperanto. A palavra ESPERANTO, traduz-se por "aquele que tem esperança". Nós sabemos esperar. Somos tolerantes por excelência. Os intolerantes nunca aprendem realmente o esperanto. Ai está a raiz do nosso idioma.