Poucos dias após o encerramento do 36° Congresso Brasileiro de Esperanto, que será realizado aqui em Petrópolis, entre 12 e 16 de julho próximo, um outro evento de maior amplitude estará agitando a comunidade esperantista. Trata-se do 85° Congresso Mundial de Esperanto(Tel-Aviv, 25 de julho a 1° de agosto).
O texto que apresentamos a seguir é uma tradução da mensagem que o vice-presidente da Associação Mundial de Esperanto, Dr. Renato Corsetti , dirigiu aos membros dessa entidade, através da revista Esperanto ( março 2000). Vale a pena saber um pouco mais a respeito da importância do movimento esperantista e do Congresso de Tel-Aviv. Com a palavra o Dr. Corsetti:
"Evento capitânia", jargão usado pela UNESCO , é algo semelhante ao que ,de forma mais clara, usaríamos em esperanto: "evento voj-montra" ( evento que indica o caminho).
A UNESCO ter decidido enquadrar o Congresso Mundial de Tel-Aviv como um dos "eventos capitânias" do Ano Internacional pela Cultura da Paz, significa para os esperantistas um fato orientador.
De forma não menos orientadora, a Direção da Associação Mundial de Esperanto dedicou o Congresso ao tema "Língua e cultura da paz" e o próprio representante da UNESCO falará durante o congresso mundial deste ano.
Como vêem, "paz" será o tema central. Fala-se tanto dela, justamente porque a paz ainda não existe no mundo e, particularmente, no chamado Oriente Médio.
Deve ser feito um esforço permanente para que a paz seja mantida. Ela não é uma situação que se sustenta por conta própria. Esse esforço é um dos importantes elementos da atuação dos esperantistas.
A paz, por outro lado, exige um penoso trabalho de acordos ,pois todos concordam com princípios genéricos ( "paz e esperanto são coisas boas"), mas já não o fazem em situações concretas ( "para alcançar a paz, vocês devem pagar mais pela gasolina", "para aprender esperanto vocês devem adquirir e estudar o material didático"). E, no Oriente Médio a situação é tão complexa que poucos são os homens de fora da região que a compreendem.
Paradigmas como "Israel é um país moderno e democrático", ou , ao contrário "país agressivo, que não respeita os direitos humanos"; "todos os árabes são terroristas"; ou, ao contrário, "vítimas da política norte-americana com a ajuda de Israel", não resistem a uma averiguação com a realidade local.
Os congressistas poderão constatar a situação e formar um juízo próprio, independente das opiniões limitadas que são impingidas pelos meios de comunicação de massa. Os debates durante o Congresso Mundial possibilitarão comparar, ostensivamente, pontos de vista. Lá vocês poderão perguntar aos esperantistas israelenses sobre fatos e opiniões - e da mesma forma - reunirem-se e fazer perguntas aos árabes, dentro e fora de Israel. Vários eventos, nas proximidades do Congresso Mundial, permitirão comparar pontos de vista.
Desejamos que os esperantistas contribuam com as suas presenças e idéias ao processo da paz, que de forma quase igual ao movimento esperantista "avança sem se mexer". Estaremos lá para dizer que ela deve de fato progredir- e vocês notarão que um grande percentual dos habitantes de Israel, assim como uma grande parte da população árabe dos países vizinhos têm a mesma opinião.
Embora Israel seja um país , cuja simples menção do nome desperta forte simpatia ou antipatia, vocês não têm o direito de julgar, sem informações diretas. Essas informações serão possíveis de obter, participando do primeiro grande evento esperantista da região. Nosso Congresso Mundial será não apenas um congresso em Israel, mas um acontecimento que lhes permitirá conhecer todo o Oriente Médio.
Provavelmente você se lembrará que em Montpelier decidiram fazer com que o Esperanto servisse de ponte em situações difíceis e também entre o Norte e o Sul. No Oriente Médio isso começa a ocorrer entre mil dificuldades, mas os primeiros contatos entre esperantistas israelenses e árabes já começaram a existir. Venha e contribua você também de uma forma especial para a marcha pela paz!
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