A SIMPLICIDADE DO ESPERANTO

(*)Fernando J G Marinho

Gostaria de transcrever na íntegra o discurso proferido por ocasião da abertura do 7° Congresso Brasileiro de Esperanto, em 19 de abril de 1923, pelo então acadêmico José Medeiros e Albuquerque, para que os nossos leitores pudessem melhor avaliar o papel desempenhado pelos pioneiros do movimento esperantista em nossa terra. Na impossibilidade de fazê-lo, devido à extensão da matéria, limitei-me ,apenas, à extração de um trecho onde o autor aborda , de forma extremamente interessante alguns aspectos que caracterizam a simplicidade da gramática do esperanto. Eis o trecho:

"Uma questão quase sempre dificílima em todas as línguas é a ortografia.

Todos conhecem as batalhas que nós temos dado dentro da nossa própria língua para resolver qual a melhor ortografia.

Na última vez que discuti o assunto na Academia Brasileira declarei que se , ditando a meus confrades um texto de pequena extensão, achasse cinco que escrevessem exatamente do mesmo modo todas as palavras nele contidas, nunca mais propugnaria a simplificação ortográfica. Ninguém aceitou o desafio.

Em esperanto, pedem-se cinco a dez minutos para ensinar a qualquer pessoa o que Guerra J unqueiro chamava "os mistérios fatais da ortografia". Em esperanto não há mistérios. Desde que se aprendam os sons das letras do alfabeto, como essas letras têm sempre, em toda parte, o mesmo som,- e como o mesmo som se traduz sempre, em toda a parte, pelas mesmas letras, dez minutos bastam para aprendizagem da ortografia. Logo após, será possível ditar qualquer texto e , mesmo sem o entender, a pessoa o reproduzirá sem nenhum erro.

Não há nenhuma outra língua viva, nem mesmo o espanhol, que é a de ortografia mais racional, onde se possa fazer igual proeza.

Os franceses, gracejando com as infinitas variações da ortografia inglesa, dizem que em inglês só há uma regra para a pronúncia: não ler o que está escrito; tudo mais é certo.

Há tempos passou pelo nosso porto um navio inglês, cujo nome se escrevia Byo-Byo. O funcionário da polícia marítima que foi a bordo e que aliás falava inglês perguntou ao comandante como se pronunciava: era baio-baio ou bio-bio. O comandante lhe respondeu: era baio-bio. Como adivinhar? De um modo geral pode-se dizer que em inglês, quem nunca ouviu pronunciar uma palavra, não pode ter certeza,vendo-a escrita, de como ela se pronunciará.

É exatamente o contrário em esperanto, única língua que tem como regra: só ler o que está escrito; tudo mais é errado.

Há ainda outra maravilha de simplicidade no esperanto: o verbo.

Todos sabem como a aprendizagem das conjugações constitui em quase todas as línguas o terror dos alunos. É a dificuldade máxima, a dificuldade suprema. Verbos regulares e irregulares, verbos de não sei quantas espécies... Um homem paciente verificou que em francês se contam nada menos de 2.265 terminações nos diferentes verbos. Em português, o número não pode ser menor. Treme-se ao pensar no que deve ser em russo, onde penso haver lido que há oito conjugações!

Mas, não precisamos ir tão longe: fiquemos nos 2.265 do francês.

Em esperanto, onde todos os verbos - todos , absolutamente, são regulares, onde só há uma conjugação, as terminações são apenas doze: uma dúzia! De 12 para 2.265 sempre há uma certa diferença... "

Amigos, vocês descobriram apenas um pouquinho da gramática do esperanto. Que tal conhecê-la melhor? Vocês não acham que deve haver alguma razão muito forte para os esperantistas serem tão entusiasmados, tão dedicados à divulgação do idioma neutro internacional? Procurem descobrir esse mistério, visitando a página da Liga Brasileira de Esperanto: http://www.esperanto.org.br

(*)marinho@npoint.com.br

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