O leitor certamente não estranhou o fato de o título acima ter sido escrito em idioma que não corresponde à nossa língua oficial. Tal como o sapo que colocado numa panela com água, e submetido a um lento aquecimento ali permanece quietinho , até morrer escaldado, nós todos já devemos ter nos acostumado à gradativa, porém constante, introdução de palavras estrangeiras nos documentos que lemos. Pouquíssimos pulam da panela. Prometo não repetir a façanha de hoje, pois, também condeno o que mais se vê atualmente : o abuso do emprego de expressões estrangeiras servindo de títulos para revistas e colunas de jornais; para empresas prestadores de serviços e lojas comerciais; para nomes de condomínios e de prédios residenciais; enfim, para um sem número de finalidades. Mas, este não será o tema central de hoje. Prossigamos.
Qualquer iniciante do estudo do esperanto é capaz de traduzir a indagação que encabeça este nosso artigo, da seguinte forma: O que é ¨Firetalk¨? Quanto ao significado do nome próprio colocado entre aspas, deixemos a tarefa para os estudantes da língua inglesa. Mas, o que é esse tal ¨Firetalk¨? Trata-se de um fantástico programa que permite a troca de mensagens orais e escritas, instantaneamente, entre indivíduos situados em quaisquer quadrantes da Terra. Os usuários desse programa são capazes de promover encontros virtuais , organizar debates, realizar conferências e uma série de outras atividades de acordo com os respectivos interesses. Quanto ao preço das ligações via Internet, todos sabem que são bem menores do que quaisquer ligações interurbanas. Nem é preciso dizer que os esperantistas estão maravilhados com o surgimento do "Firetalk". Na última visita que fiz à página http://www.esperanto.digiweb.com/babililo.htm , em 20.3.2000, constatei que o grupo de colegas que costuma participar dos agradáveis bate-papos , à viva voz, utilizando a única língua verdadeiramente neutra e internacional, já conta com 69 adeptos de 19 países diferentes. Nada impede que qualquer cidadão penetre numa dessas salas de reuniões virtuais e tente descobrir a verdadeira nacionalidade de cada um dos amigos que falam a mesma língua e que se entendem perfeitamente bem.
E ainda há quem diga que o esperanto não funciona...!
No último fim de semana ,estava eu rodeado de filhos e netos, quando, lá pelas tantas, interrompendo os debates e trocas de gozações entre flamenguistas e vascaínos, entra em cena a netinha mais nova, tentando se comunicar verbalmente através da emissão de uma série de palavras incompreensíveis. Isso foi o suficiente para que o meu caçula, sem a menor intenção de agredir o velho provocou uma gargalhada geral: - Fernandinha , é a única neta do papai que fala esperanto! Nesse momento , flamenguistas e vascaínos fizeram uma cruel aliança e passaram, com certa cerimônia, é verdade, a contestar o futuro do esperanto e a defender a tese de que a expansão do inglês jamais será contida. Um dos argumentos apresentados para justificar essa expansão foi justamente o avanço da Internet. Duas lembranças me vieram , então, à cabeça : A frase que me sugeria não alimentar o debate naquele momento( "Perdoai, Pai, eles não sabem o que fazem" e o que dizem...) e a do texto escrito por Tais Fuoco, da InfoNews em 24.6.99:
"DOMÍNIO DO INGLÊS NA INTERNET ACABA EM 3 ANOS - O crescimento de internautas na América Latina e Ásia vai fazer com que o inglês deixe de ser o idioma predominante na Internet em até três anos, segundo pesquisa realizada pela Computer Economics. O predomínio cairá mais até 2005, afirma a pesquisa, período em que seis de cada 10 internautas falarão outro idioma que não o inglês. O crescimento da Internet entre os países que não falam inglês exigirá das empresas ofertas de múltiplos idiomas em seus Web sites, afirmou o vice-presidente de pesquisas da Computer Economics, Michel Erbschloe. Haverá um aumento de 60% no uso da Internet entre os usuários da língua inglesa nos próximos seis anos. Em contrapartida, o mercado dos que não falam inglês crescerá 150% no mesmo período. Até lá os internautas somarão 345 milhões de pessoas em todo o mundo."