TEMA TRANSVERSAL À VISTA

(*) Fernando J G Marinho

Na introdução ao seu interessante livro, "A Lei do Triunfo", Napoleon Hill nos revela a história de um pastor que havia anunciado nos jornais de Chicago a pregação que pretendia realizar: "O que eu faria se tivesse um milhão de dólares!". Na data prevista, o Dr. Gunsaulus - este era o nome do pregador - traçou o plano de uma grande escola técnica, onde moças e rapazes aprenderiam a vencer na vida, por meio do desenvolvimento da habilidade de pensar em termos mais práticos do que teóricos; uma escola onde aprenderiam fazendo." E, concluindo sua preleção, disse o jovem pastor: "Se eu tivesse um milhão de dólares, fundaria uma escola assim." Resultado: Logo depois do sermão, um dos ouvintes que havia sido atraído pelo anúncio, aproximou-se do púlpito e, apresentando-se ao pregador, disse-lhe: "Acredito que seja um jovem capaz de fazer o que diz. Vá ao meu escritório, amanhã cedo, e eu lhe darei o milhão de dólares de que precisa." Nome do doador: Philip D. Armour, o rei dos frigoríficos. Segundo Napoleon Hill, este foi o início do Armour Institute of Technology, uma das maiores escolas práticas da América do Norte.

A história acima pode servir de ponto de partida para uma série de reflexões sobre atributos como criatividade, poder de argumentação, autoconfiança , intuição, idealismo, cidadania, etc. No entanto, há um ponto que não pode deixar de ser apreciado: o fato de ser perfeitamente exeqüível a transformação de problemas aparentemente insolúveis em soluções surpreendentes. No caso que acabamos de narrar, a ajuda financeira foi o item fundamental que promoveu o desenvolvimento do projeto idealizado pelo pastor. No entanto, quantos outros projetos de grande valor para a sociedade e que independem de investimentos financeiros, deixam de ser desenvolvidos, porque os responsáveis pelas suas aprovações não percebem com nitidez e presteza os benefícios que adviriam de tais projetos! Eis um pequeno exemplo:

Há menos de um mês, na qualidade de integrante de uma lista de debates da Liga Mundial de Professores Esperantistas, tomei conhecimento de uma interessante mensagem enviada por um colega do Uzbequistão. Falava ele das dificuldades encontradas nas suas tentativas de ensinar o esperanto, em caráter facultativo, em uma das escolas da sua cidade. O diretor da escola desculpava-se argumentando que os alunos estavam sobrecarregados de matérias e que o acréscimo de mais uma língua seria um exagero. Dirigindo-se à outra escola, apresentou ao seu diretor nova proposta: a de organizar um clube de intercâmbio internacional de correspondência. A idéia foi aceita sem dificuldades, pois o diretor logo reconheceu o valor da proposta. A partir de então, nosso amigo passou a divulgar para as diferentes turmas do colégio, através de pequenas palestras, como seriam desenvolvidas as atividades do clube: os alunos receberiam endereços de correspondentes e escreveriam suas cartas na própria língua nacional. O criador do clube providenciaria a versão das cartas e as enviaria aos destinatários.E assim foi feito. Nas reuniões do clube o seu idealizador falava de suas experiências, de suas viagens, do intercâmbio que mantinha com estrangeiros; mostrava revistas, postais, selos e prospectos que costumava receber. Mas em que língua o professor se comunicava com tantas pessoas de lugares tão diferentes? Esta era a pergunta que surgia naturalmente. Estava despertado o interesse pelo esperanto e o desejo de aprendê-lo.

Para levarmos adiante a idéia de tornarmos o esperanto um pouco mais conhecido do público em geral, não precisaremos descobrir nenhum doador milionário. O apoio da classe de educadores será mais do que suficiente. Que tal o ESPERANTO como tema transversal?

Uma ótima fonte de informações: http://www.esperanto.org.br

(*)marinho@npoint.com.br

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