Em agosto de 1994, através de uma carta circular, fiz um convite-convocação, destinado a reduzido número de eminentes esperantistas, propondo a elaboração de uma coletânea de depoimentos, onde cada um dos convidados teria a oportunidade de revelar um pouco de sua vida , dizendo, entre outras coisas, o porquê do seu entusiasmo pelo esperanto, como se tornou esperantista e o que pretendia fazer no futuro. O resultado dessa empreitada foi a publicação de um livrinho com pouco mais de 130 páginas, intitulado " Não só idealistas, mas realizadores", Editora Liney/1995. Os próprios depoentes, além de terem criado o conteúdo do livro, tornaram financeiramente viável a edição da obra.
O principal argumento que utilizei, na tentativa de motivar os companheiros, fazendo com que se dispusessem a se desviar de suas rotinas e a dedicar mais algumas horas ao movimento esperantista, narrando um pouco de suas vidas , foi a necessidade de dispormos de uma coleção de depoimentos capazes de impressionar favoravelmente os formadores da opinião pública, surpreendendo-os pela qualidade e quantidade de informações relacionadas ao esperanto e aos seus adeptos. Na época em que o livro foi idealizado e produzido, não poderia imaginar que decorrido poucos anos do seu lançamento eu também estaria desempenhando o papel de um formador da opinião pública, contando com espaço semanal no Diário de Petrópolis, onde tenho procurado dar aos leitores informações cada vez mais precisas a respeito da importância do movimento esperantista. É pois, com certa freqüência e sempre com muita alegria que recorro à leitura do "Não só idealistas, mas realizadores" para extrair algo de interessante.
Concluindo, eis um exemplo, colhido do texto elaborado pelo nosso querido amigo Leopoldo Henrique Knoedt, um dos mais competentes esperantistas da atualidade :
"Lá pelos começos de 1955, li um pequeno anúncio num dos jornais de Salvador falando sobre a Língua Internacional, de cuja existência até então nunca tivera conhecimento.
Além do português, eu falava correntemente o alemão, língua materna dos meus pais, que eram austríacos. O inglês aprendera já na escola primária e depois no curso secundário, praticando-o depois durante os três anos que trabalhei para o governo americano e, em seguida, para uma firma americana. Fiquei curioso em conhecer mais essa língua. Entrei em contato com o anunciante, autor do anúncio, e ele me presenteou com uma pequena brochura, O Esperanto pela Bíblia, contendo, além do texto do Sermão da Montanha, as 16 regras de gramática do Esperanto. Achei a língua facílima, em comparação com as que já conhecia. O vocabulário não foi difícil memorizar, com seus 70% de origem neolatina e 30% de origem germânica. Matriculei-me sucessivamente nos três cursos por correspondência oferecidos pela Liga Brasileira de Esperanto, naquele tempo com sede no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que procurava ler as diversas revistas esperantistas editadas no Brasil e no exterior, lia a maior parte dos livros existentes na biblioteca da Associação Baiana de Esperanto.
Dessa maneira, de repente abriu-se para mim um vasto horizonte através do contato com culturas de todo o mundo, proporcionado por excelentes traduções, desde o Kalevala finlandês às novelas do chinês Lusin e aos Poemas de Omar Kajam, traduzidos diretamente do original persa. ....."
Prosseguindo no seu depoimento, Leopoldo nos fala das suas viagens, das suas traduções , das aventuras que o esperanto lhe proporcionou. Mas, falta-nos espaço para prosseguir. Por hoje, é só.
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