O VALOR PROPEDÊUTICO DO ESPERANTO

(*)Fernando J G Marinho

 

A menininha de 6 anos diz para o mano de 7 : "- Veja a pílula anticoncepcional que achei no pátio!". Pergunta o irmão: "- O que é pátio?"

Ao pensar no título deste artigo, lembrei-me do diálogo acima e, por associação, da pergunta que poderia ser feita por algum estudante de pedagogia ou de letras: "- O que é esperanto?".

É lamentável, mas o certo é que muitos educadores sabem que "propedêutico" é um adjetivo com o significado de "preliminar; que serve de introdução; que habilita para receber ensino mais completo" e , no entanto, desconhecem o que vem a ser "esperanto".

Não nos interessa investigar de quem é a culpa por tamanha falta de informação. Podemos afirmar, isto sim, que a culpa não é do idioma. O que nos interessa, como adeptos da idéia da adoção, por todos os povos, de uma segunda língua , caracteristicamente neutra, é tornar o assunto cada vez mais difundido e, consequentemente, ampliar o número de esperantistas , contribuindo para a construção de um mundo melhor.

Mas, falemos do valor propedêutico do esperanto. Para isto, recorreremos à ajuda do amigo Dr. Luiz Alberto Martins, ex-presidente da Liga Brasileira de Esperanto, que colocou à disposição dos participantes de uma lista de discussão (EKI) , constituída de iniciantes no movimento esperantista, excelente material informativo, do qual extraímos os seguintes tópicos:

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"b) o esperanto como língua-ponte

O livro "Metodologia do Ensino do Esperanto", de Rudolf Rakuþa, informa que, na Finlândia, foi feita a seguinte experiência, em que foi professor de esperanto Joel Vilkki.

Um grupo de alunos, digamos Grupo A, começou a aprender alemão, no primeiro ano; um segundo grupo, Grupo B, começou a aprender esperanto, no mesmo tempo. No ano seguinte, o Grupo A continuou os estudos de alemão, e o Grupo B começou a aprender esta língua. No fim do segundo ano, verificou-se que o Grupo B, que teve um ano menos de estudo, tinha alcançado o mesmo nível do Grupo A. E ainda mais: os alunos do Grupo B mostraram-se mais desembaraçados, nas aulas de alemão.

Em Kranjska gora, antiga Iugoslávia, foi feita semelhante experiência, com os mesmos resultados, isto é, o ensino preliminar do esperanto favoreceu o aprendizado de uma língua estrangeira."

Trechos de uma carta do lingüista, escritor e romancista americano Mario Pei para o Dr Stanley J.Drake, Presidente da Universidade Fort Lauerdale (Flórida,E.U.),por ocasião do festival de cultura esperantista e da reunião da Associação Americana de Professores de Esperanto e da Sociedade Esperantista da Flórida, em 14 e 15 de julho de 1973 :

"Descreve-se freqüentemente o Esperanto como "língua-ponte" que unirá aqueles que falam diversas línguas. Pode-se também caracterizá-lo como "língua-ponte" que permite atravessar o vão psicológico entre a língua de origem e outra língua qualquer que se deseje aprender. Neste sentido, o Esperanto se justifica no mundo educacional de hoje por sua função de base para o estudo de idiomas estrangeiros, papel semelhante ao do sistema fonético simplificado de soletração usado, nos Estados Unidos e no exterior, para ensinar leitura e escrita a crianças, antes de sua iniciação nas complicações da ortografia inglesa. Divulgou-se amplamente que, ao ser usado dessa forma, em caráter experimental, o Esperanto correspondeu a expectativa dos usuários. Estudantes unilíngües, submetidos a um curso relativamente curto de esperanto, tendo mais tarde continuado o estudo de línguas étnicas estrangeiras, foram muito mais bem sucedidos nesta tarefa do que os que as estudaram sem preparação anterior.  

Assim sendo, cursos de Esperanto, como item regular de currículos, justificam-se plenamente agora, como também no futuro; têm o mérito adicional de que - por ser uma língua literária em pleno funcionamento, oral e escrito, usada por milhões de pessoas, no mundo inteiro, inspirada por uma ideologia verdadeiramente universalista que contempla benefícios e ajuda mútua entre os esperantistas de várias nações - o esperanto é hoje em dia uma língua de apreciável utilidade prática."

(*)marinho@npoint.com.br 

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