TABALHADORES POLIGLOTAS?

(*)Fernando J G Marinho

 

A revista VEJA (12.01.2000)publicou interessantíssima matéria assinada por Antenor Nascimento Neto, intitulada "Dêem-me seus pobres...". Trata-se da antecipação de algumas conclusões resultantes da pesquisa desenvolvida pelo departamento que estuda demografia na Organização das Nações Unidas. Segundo os pesquisadores do assunto, os países ricos, que não adotarem uma política de imigração em massa, irão fatalmente empobrecer. A razão disto não é difícil de entender: Em determinado trecho do artigo, é dito que "o fenômeno que a ONU desvendou é instigante. Países, assim como pessoas amadurecem. Ficam ricos, seus habitantes se acomodam com os benefícios sociais, consomem menos, tem menos filhos e vivem mais. Em termos econômicos isso nunca soou como problema. Parecia até vantagem. Agora surge o desafio. Com uma população em declínio e mais velha, os países tendem a empobrecer". Prossegue o artigo comentando que "os europeus fizeram grandes e boas mudanças em matéria econômica. Montaram seu mercado comum e adotaram o euro, a moeda única. Mas, resistem a avanços no que diz respeito às normas de trabalho, e nisso estão incluídas políticas de imigração". Mais adiante, são vistos dados numéricos que procuram demonstrar que alguns países que estão enriquecendo usam o trabalho do imigrante com eficácia: "Nos EUA, os imigrantes representam 8,5% da população total. No Canadá, 16% dos habitantes vieram de fora. Na Austrália, são 23%. Em comparação com a Europa a diferença é grande. Há apenas 4% de estrangeiros vivendo na Inglaterra, 6% na França e 7% na Alemanha" . Em um determinado momento , o articulista nos informa que, segundo cálculos da ONU, nos próximos 25 anos a União Européia será obrigada a trazer 35 milhões de trabalhadores de fora de suas fronteiras. E acrescenta : "Esses são os números. Suas implicações políticas, num continente marcado pelo racismo e pela xenofobia, são incalculáveis. Nos últimos 5 anos a Europa andou para trás na questão de tolerância para com os imigrantes."

Bem, vamos admitir que o resultado da pesquisa, que será divulgada pela ONU a partir de março, não deixe margens à dúvidas, isto é ,sem a política de imigração em massa os países ricos empobrecerão. Que providências serão tomadas pelos países ricos? Estarão eles dispostos a enfrentar os problemas decorrentes da adoção da política sugerida? Haveria alguma forma de atenuar possíveis conflitos que a diversidade de raças, de costumes e de línguas dos milhões de imigrantes certamente provocaria?

Não teria chegado o momento de pararmos para pensar nas vantagens que a adoção de uma língua neutra internacional traria para todos ?

É bom lembrar que a enorme massa de imigrantes, que deverá se deslocar nos próximos anos para os países ricos, não será provavelmente constituída, na sua maioria, de trabalhadores poliglotas, mas de homens que não tiveram a oportunidade de aprender outros idiomas. Pense nisso. Saiba também que a tal língua neutra internacional existe, é simples, regular, mais fácil de ser aprendida do que qualquer outro idioma e chama-se ESPERANTO. Para maiores informações, entre em contato com a LIGA BRASILEIRA DE ESPERANTO: Caixa Postal 03625,Brasília(DF),CEP 70084-970, Tel 0XX-61-2261298, bel@esperanto.org.br, http://www.esperanto.org.br

(*)marinho@npoint.com.br

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