Ao examinarmos os resultados do movimento esperantista nestes 112 anos de existência da língua neutra internacional, concluímos que muito já foi feito, mas que ainda há muito por fazer.
Há quase duas décadas ( 1981!), escrevi um artigo que abordava o mesmo tema escolhido para a reflexão de hoje: o esperanto "deu certo"?
Eis uma reprodução parcial do citado artigo:
Quais das manchetes abaixo teriam merecido destaque nos nossos jornais e revistas?
"Terremoto no Irã provoca centenas de mortes";
"Pânico no cinema. Dezenas de iranianos feridos devido à bomba lançada por terroristas";
"Mais de 2000 pessoas da Universidade Iraniana do Teerã estudam a língua internacional esperanto".
Infelizmente, só tomamos conhecimento da última manchete, através de publicações editadas por esperantistas.
Das três notícias que se seguem, também só tivemos oportunidade de ler ,em nossos jornais de maior circulação, as duas primeiras, pois a terceira - na opinião dos editores - provavelmente não interessaria ao grande público :
"Búlgaro é ferido com a ponta de um guarda-chuva envenenado";
"Confirmada sabotagem, no caso do búlgaro assassinado";
"Mais de 5000 pessoas de 80 países diferentes participaram de um congresso internacional em Varna, na Bulgária, utilizando a mesma língua, sem necessidade de intérpretes".
Em 1978 foi realizado o 1° Congresso Latino Americano de Esperanto, em Marília-SP. Nos jornais do Rio de Janeiro, não tivemos a oportunidade de colher dados a respeito deste assunto. Por quê? Terá sido por falta de informação dirigida aos jornais?
"Não tenho a menor dúvida do que possa ser isto". "Trata-se de uma língua universal que inventaram, mas não deu certo". Estas são algumas das respostas que costumamos ouvir, quando perguntamos, indistintamente, a pessoas dos mais variados níveis de instrução, o que sabem a respeito do esperanto. A primeira resposta revela um total desconhecimento do assunto, enquanto que a segunda, uma precipitada conclusão que merece algumas considerações:
Será que a descoberta do telefone "não deu certo"? Afinal de contas nem todas as pessoas do mundo possuem telefone e muitas daquelas que os possuem queixam-se dos aparelhos, quando estes apresentam defeitos. Será que a invenção de tratores, arados e fertilizantes também não "deu certo"? Apesar dos grandes avanços tecnológicos na área de produção de alimentos, grande parte da humanidade é subnutrida. Será que a criação de escolas, universidades e hospitais também "não deu certo"? Quantos homens ainda permanecem carentes de instrução e de condições razoáveis de saúde?
O fato de não havermos solucionado todos os problemas que a humanidade enfrenta não significa que os esforços desenvolvidos pelo homem, na busca de melhores condições de vida, tenham sido inúteis ou não tenham "dado certo". Diariamente, inúmeras pessoas morrem por falta de assistência médica ou por falta de medicamentos. Esse fato nos autoriza afirmar que a vacina "x", que o antibiótico "y" ou que a cirurgia "z" não "deram certo"? Fácil é perceber que a falta de assistência médica ou de medicamentos está ligada à uma série de fatores que nada têm a ver com as características dos medicamentos e dos profissionais que os prescrevem.
Voltando ao tema "esperanto". Não deu certo por quê ? Porque a porcentagem de pessoas que se utilizam dessa língua é ainda pequena, ou porque ela não apresenta uma estrutura que possibilite seu generalizado emprego nos diferentes campos da atividade humana? Não seria melhor admitirmos que o esperanto realmente "deu certo", como têm comprovado milhares de pessoas que se reúnem anualmente nos congressos universais; que lêem no idioma de Zamenhof as principais obras literárias publicadas nos mais diferentes países; que assistem representações teatrais; que compõem poemas; que trocam correspondência; que editam publicações de caráter científico; que recebem regularmente revistas e jornais dos 4 cantos do mundo; que comungam o ideal de derrubar as barreiras lingüísticas, tão prejudiciais à manutenção de um clima de harmonia entre os povos?
Se o amigo ainda tem dúvidas quanto ao valor do esperanto, uma visita ao sítio da Liga Brasileira de Esperanto torna-se fundamental: http://www.esperanto.org.br