ESCREVENDO O FUTURO

Fernando JG Marinho

 

"Ao contrário do passado, o futuro não está escrito, é possível modificá-lo. Além disso, ele é o nosso único patrimônio comum que permanece intacto."

Frederico Mayor- Diretor Geral da UNESCO

 

Segundo estatística que li há algum tempo- portanto suspeita- Petrópolis abriga cerca de 300.000 habitantes. Desses 300.000, não tenho a menor idéia de quantos poderiam ser considerados alfabetizados. Quanto à tiragem dos jornais que circulam nesta cidade, também não faço idéia. O que dizer então do número de cidadãos que lêem o Diário de Petrópolis ? "- Nada a declarar." E quanto ao número dos que lêem esta coluna? "- Impossível imaginar!".

Sempre ouvi dizer que a parte mais difícil da Estatística é a tal da "Inferência". Pelos dados que forneci, ou melhor, que deixei de fornecer até agora, um apressado estatístico poderia inferir que sou "alienado", "ignorante", "inseguro" ou o que mais lhe viesse à cabeça. É até possível que eu possua esses atributos. O que não é possível é admitir que essa conclusão tenha sido tirada exclusivamente dos dados apresentados.

Seria possível avaliar a qualidade de um jornal ou das crônicas e editoriais que ele publica, com base apenas no número de leitores que possui? Poderíamos julgar a qualidade de uma música, de uma peça teatral, de um programa de TV, só pelo número de pontos "ibopeanos"?

"Desafio aos Deuses - A fascinante história do risco", de Peter L. Bernstein, Editora Campus, foi considerado pela crítica como o livro de negócios mais inovador e criativo de 1996. Trata-se de uma extraordinária análise do papel do risco em nossa sociedade. Dentre inúmeras informações e teorias defendidas por privilegiadas cabeças, o autor esclarece conceitos de probabilidade, amostragem, regressão à média, teoria dos jogos e tomada de decisões racional versus irracional.

Segundo um dos teóricos citados pelo autor, "as pessoas racionais processam as informações objetivamente; os erros que cometem na previsão do futuro são erros aleatórios, e não o resultado de uma tendência obstinada para o otimismo ou o pessimismo."

Estará processando informações objetivamente, aquele que ao ser apresentado à idéia de uma língua neutra internacional baseia suas conclusões a respeito do esperanto exclusivamente no suposto número de falantes desse idioma? A propósito, abramos um parêntese : Já lemos informações desencontradas sobre a existência de 3000, 5000, 10000 e até 15000 línguas. Mas, qualquer que seja o número real dessas línguas, o importante é saber que o esperanto é uma das 200 faladas por mais de um milhão de pessoas.

Se o prezado leitor até hoje não se interessou em aprender o esperanto, por considerá-lo pouco divulgado, falado por um número insatisfatório de pessoas, sem perspectivas de vir a ser aceito pela maioria dos habitantes deste planeta, sugerimos que procure examinar o problema sob outros ângulos. O que você já sabe, por exemplo, quanto à duração normal dos cursos de esperanto? E quanto à facilidade do aprendizado? Quanto à simplicidade da gramática? Quanto à literatura em e sobre o esperanto? Quanto à possibilidade do aprendizado pela Internet ? Que tal procurar informações mais precisas sobre a genial criação de Zamenhof, visitando, pelo menos, a página da Liga Brasileira de Esperanto, disponível no seguinte endereço eletrônico: http://www.esperanto.org.br .Na "home page" do Kultura Centro de Esperanto ( Campinas-SP) http://www.aleph.com.br/kce/oquee.htm você encontrará informações que irão, certamente, surpreendê-lo. Quer um exemplo? Pois bem: A tradução de uma entrevista concedida pelo Sr Reinhard Selten à revista da Associação Universal de Esperanto. Esse senhor esperantista, doutor em matemática, em novembro de 1994, recebeu o Prêmio Nobel de Economia , juntamente com os professores John Nash e John Harsany.

Já que falamos em Prêmio Nobel, seria uma descortesia deixar de mencionar o nome de outros três esperantistas que também conquistaram esse honroso laurel: Joseph J Thompson (Física-1906); Wilhem Astwald (Química-1909) e Alfred Fried ( Paz- 1911). Para falantes de uma língua tão pouco conhecida, acreditamos que 4 premiados é um número excessivamente alto, não acham?

Quando você, leitor amigo, estiver disposto a nos ajudar a escrever o futuro, entre em contato comigo: marinho@npoint.com.br

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