FILOSOFANDO...

 

Fernando J G Marinho

 

Jostein Gaarder, o consagrado autor de "O Mundo de Sofia", com a sua fantástica criatividade e experiência como professor de filosofia costuma induzir seus leitores à profundas reflexões. No romance "O Dia do Curinga", publicado dois anos antes de "O Mundo de Sofia" e graças ao qual acabou recebendo o mais importante prêmio de literatura da Noruega, há um diálogo entre os dois personagens principais - o garoto Hans-Thomas e seu pai - que não podemos deixar de comentar. Trata-se do trecho em que o pai, usando de um raciocínio lógico extraordinário, prova para o filho que, apesar da peste negra ocorrida por volta de 1349 haver dizimado metade da população da Noruega, nenhuma das centenas de crianças pertencentes ao rol de antepassados do pequeno Hans - Thomas estava incluída entre os mortos de então. O esperto garoto logo compreendeu que se apenas um de seus antepassados tivesse morrido quando criança, ele ou ela não poderia ter sido seu antepassado. O diálogo prossegue com a explicação do pai: "- Todos, todos os seus antepassados cresceram e tiveram filhos em épocas que foram palco das mais terríveis catástrofes naturais e que, além do mais, possuíam índices assustadores de mortalidade infantil. É claro que muitos deles chegaram a ficar doentes, mas o fato é que todos sempre sobreviveram às enfermidades."

Bem, não temos espaço para reproduzir todas as brilhantes argumentações do pai de Hans - Thomas. Mas, a conclusão a que chegaram é que o fato de haverem nascido já representava incrível vitória. Acompanhando o raciocínio da dupla, o que diríamos então do fato de havermos crescido com saúde, de havermos nos alfabetizado, desenvolvido algumas habilidades, adquirido conhecimentos variados e alcançado relativo sucesso profissional, passando a fazer parte de uma minoria privilegiada?

Voltemos ao diálogo. Diz o pai: "- ...Mas eu consegui chegar até aqui. Isso mesmo, diabos, aqui estou eu ! E sei a sorte do cão que tive para poder ter o prazer de desfrutar deste planeta na sua companhia. Sei da sorte que teve cada pequeno ser vivo deste planeta." E acrescenta , respondendo à pergunta do filho sobre aqueles que tiveram azar. "- Eles não existem! Nunca nasceram. A vida é uma loteria gigante da qual só se vêem os ganhadores."

Chegou o momento de refletirmos juntos, caro leitor. Não temos a pretensão de ensinar nada a ninguém, estamos apenas filosofando, tentando expor algumas idéias que nos chegaram à mente, enquanto prestávamos atenção ao diálogo entre Hans e o seu próprio pai.

Parece-nos razoável admitir que todos nós, os privilegiados cujos antepassados conseguiram sobreviver às pestes, guerras, calamidades e tragédias, devemos ter algum tipo de compromisso com a construção de um mundo melhor, vocês não acham? Afinal de contas, é lícito supor que todo o progresso alcançado até hoje foi fruto do trabalho dos "privilegiados sobreviventes" e não dos que nunca nasceram.

Da mesma forma que lamentamos a má distribuição de renda entre os homens e passamos a nos preocupar com a solução deste problema, há quem se preocupe bastante com a má distribuição do conhecimento e com a sua respectiva correção. São ilimitadas as formas de trabalho oferecidas aos "privilegiados sobreviventes" que desejam participar da construção de um mundo melhor. A divulgação da existência de uma língua neutra internacional, por exemplo, é um tipo de atividade que proporciona grande satisfação aos esperantistas ( e você poderá se tornar um deles!) , uma vez que se sentem como verdadeiros construtores de um mundo sem fronteiras lingüísticas.

 

Conheça mais de perto o movimento esperantista visitando a "home page" da Liga Brasileira de Esperanto < http://www.esperanto.org.br>

 

Prepare-se para participar do 36° Congresso Brasileiro de Esperanto que será realizado aqui em Petrópolis, de 12 a 16 de julho do ano 2000!

 

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