PARTICIPAR É PRECISO

 Fernando J G Marinho

"O homem com uma nova idéia é um excêntrico, até que a idéia seja um sucesso" (Mark Twain)

 

Parodiando a crônica de Rubem Braga, intitulada "Meu ideal seria escrever...", onde o autor revela que seu sonho seria criar uma história extremamente engraçada - e explica o porquê - , começaria dizendo que meu ideal seria escrever um artigo impregnado de tal força motivadora que aquele jovem chefe de família, que está profundamente abatido, desorientado com a falta de perspectivas, ao lê-lo , sorrisse e, ao sorrir, ficasse surpreso com a sua mudança de ânimo. E que, em função dessa inesperada mudança, passasse a acreditar mais nas suas potencialidades e a admitir que também seria capaz de provocar em outras pessoas o despertar de um entusiasmo voltado para ações edificantes. E que ele, até então incrédulo com relação a existência de pessoas honestas, capazes de se dedicarem ao bem comum, embora cansado das inúmeras decepções sofridas, passasse a vislumbrar a possibilidade de encontrarmos soluções para a renovação e modernização de nosso país. Ah, que esse meu artigo fosse tão potente que o jovem, no meio de sua leitura, já começasse a sentir ímpetos para criar alguma coisa, para participar de alguma forma da reconstrução de um mundo melhor. Que ele se sentisse desafiado e mergulhasse em surpreendentes reflexões. Que no decorrer dessas reflexões, sua auto-estima fosse atingindo níveis mais elevados. Que o meu artigo abordasse o problema da motivação de maneira tão interessante e envolvente, que cada um que o lesse passasse a comentá-lo com os amigos, com os filhos, com os subordinados, colegas e chefes, com alunos e professores. Que o tema passasse a ser assunto freqüente, em aulas e seminários, em programas de televisão e de rádio. Que as pessoas começassem a tirar cópias do artigo e a enviá-las para os amigos, no intuito de demonstrar afeto, amizade, desejo de repartir novos conhecimentos. Que essa divulgação se fizesse de forma tão eficiente e rápida, que em pouco tempo não houvesse uma única pessoa que o desconhecesse.

E, parodiando ainda o saudoso príncipe dos cronistas, quando me perguntassem -"mas de onde é que você tirou esse artigo?"- eu responderia que ele representa o fruto de um razoável número de leituras, incluindo conhecimentos muito antigos e relativamente desprezados, como a hipnose, e, outros mais recentes, como a programação neurolingüística(PNL). Acrescentaria que, há muito, aprecio leituras do gênero auto-ajuda, sem receio de ir contra a opinião desestimuladora de alguns críticos . Como a maioria dos idealistas e sonhadores, tenho me defrontado com pessoas cuja característica mais acentuada é o negativismo, o desânimo, a descrença nas possibilidades de mudança para melhor. São pessoas que, quando se fala em uma luz no fundo do túnel, evocam , de imediato, a imagem de um trem vindo na contramão. Outras há, em quantidade muito superior, que se caracterizam pela apatia. São as que não permitem que se desminta a assertiva de Helen Keller: " A ciência pode ter encontrado a cura para a maioria dos males; mas não encontrou um remédio para o pior deles - a apatia dos seres humanos.

Certa vez, tive o prazer de reencontrar um casal, que não via há mais de trinta anos. Maior foi o prazer, quando soube que a mulher vinha se dedicando ao estudo do esperanto, vírus que contraí na adolescência. Depois de longa e variada conversa, disse ao me despedir: -"Foi ótimo saber que a "sua patroa" aderiu à idéia de uma língua internacional. Pena que você não se interesse pelo esperanto. "Resposta do amigo, sob forma de pergunta, mas com a entonação de quem não estava , absolutamente, interessado em esclarecimentos :" Esperanto? Para quê?" fiz um esforço incrível para permanecer em silêncio, quando o amigo acrescentou o seguinte: "- Bem, apareça! Estou sempre aqui no clube, nos finais de semana, jogando sinuca, batendo papo, tomando chopinho." Seria uma tremenda indelicadeza, se eu perguntasse: "Jogando sinuca ,batendo papo e tomando chopinho, pra quê?" A final de contas, sei, perfeitamente, que o lazer é coisa muito mais séria do que se pensa. Aliás, o esperanto é um ótimo instrumento para batermos papinhos sobre os mais diversos assuntos, com pessoas de outras culturas e que não falam nossa língua -pátria.

Essa história foi incluída no texto, para ressaltar as diferenças individuais e, por que não confessar, tornar o esperanto mais conhecido . O que para uns é extremamente importante, para outros é desprezível. Mesmo que o nosso artigo seja lido por centenas de leitores, sabemos que apenas alguns se sentirão suficientemente motivados para fazer algo que implique em ação construtiva. Esses, são os líderes do amanhã; pessoas capazes de sonhar, de planejar, de decidir e agir.

De minha parte, há décadas, escolhi uma causa para abraçar: a divulgação da língua internacional esperanto. Para quem, por falta de informação, ainda supõe que "o esperanto é uma língua que não deu certo", sugiro uma visita ao Mundo Virtual do Esperanto, através da página construída pelo Dr. Luiz Fernando Vencio, jovem radiologista de Goiânia-GO, intitulada : "Esperanto & Internet" <http://pagina.de/esperantujo>

Finalmente, que tal conhecer o projeto que estamos tentando desenvolver aqui em Petrópolis, no Colégio Estadual Rui Barbosa ? Participar é preciso!

(Projeto Sementeira Esperanto< http://www.npoint.com.br/sementeira>).

 

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